ALLAN KARDEC EM PARIS » Rue Sainte-Anne & Passage Sainte-Anne

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Guia
Allan Kardec em Paris

Rue Sainte-Anne
& Passage Sainte-Anne

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1: Torre Eiffel | 2: Museu do Louvre | 3: Palais Royal | 4: Rue Sainte-Anne, 59

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Allan Kardec em Paris - Período KardecO endereço Rue Sainte-Anne [ry santane], nº 59 surge na última fase da vida de Kardec: 1860, nove anos antes de ele morrer.

No capítulo sobre o Palais Royal, você viu que a Sociedade Espírita de Paris esteve por um ano na Galerie de Valois e por um ano na Galerie Montpensier. Agora eu posso finalizar o caminho: em 1860, transferiu-se para a Rue Sainte-Anne. O endereço abrigou outro elemento de fortíssimo valor para os espíritas: o escritório da Revue Spirite, que desfrutava um sucesso cada vez maior. Além disso, foi onde Kardec desenvolveu alguns livros lidos até hoje.

Kardec já possuía uma casa na Villa de Ségur, mas as complexas e intermináveis obrigações que ele tinha frente ao Movimento Espírita forçavam-no a ficar quase exclusivamente na Sainte-Anne. Trabalhava de manhã até à noite, não raro durante madrugadas. Portanto, o apartamento na Sainte-Anne era, também, o domicílio de Kardec. A habitação em Ségur oferecia mais conforto que a da Sainte-Anne, mas ele preferia ficar no foco dos trabalhos, com a esposa.

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A seta mostra por onde Kardec entrava no prédio — ou seja, a entrada da Passage Sainte-Anne.

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A mudança para a
Rue Sainte-Anne

A mudança para a Rue Sainte-Anne foi um benefício proporcionado, em grande parte, pela bondade de uma mulher simpática ao Espiritismo. Ela surpreendeu Kardec ao entregar-lhe dez mil francos, dizendo que ele deveria empregar o dinheiro em prol da divulgação da Filosofia Espírita. Ressaltou que não queria recibos nem satisfações.

Depois de discutir o assunto com integrantes da Sociedade, Kardec alugou o apartamento na Sainte-Anne e gastou quase mil francos em móveis e outras despesas. Ainda eram necessários outros móveis, mas ele preferiu poupar dinheiro: completou doando peças de sua própria casa.

O controle de gastos impunha-se devido a uma grande preocupação: o pagamento do aluguel. As contribuições dos sócios cobririam pouco menos de metade; o restante seria retirado da doação.

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A Rue Sainte-Anne é agitada. Um dos detalhes que mais chamam a atenção na área é a grande quantidade de restaurantes japoneses. Houve uma renovação há poucas décadas. Entre os anos 50 e 80 do século 20, a rua foi um centro da vida gay parisiense, em uma época em que os homossexuais ainda “escondiam-se” na sociedade (hoje, casais gays caminham em Paris de mãos dadas). Naquela altura, a prostituição masculina na região era o maior incômodo para os moradores.

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A passagem

Na foto acima, vemos a divisa do número 59 com o 61 nessa rua. O 59 é uma passagem, por isso o nome Passage Sainte-Anne [passaje santane], muitas vezes citado por Kardec. Criada em 1829, a passagem foi registrada como monumento histórico de Paris em 1974.

No meio dessa passagem (imagine como um corredor coberto entre dois prédios), encontramos a porta que dá acesso à escada por onde Kardec passava para ir ao apartamento. Se você seguir além na passagem, até o fim, sairá em uma antiga galeria de lojas. Como disse o pesquisador espírita David Liesenberg, “a Passage Sainte-Anne desemboca em uma galeria que é uma verdadeira viagem no tempo”.

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Kardec, Amélie, Delanne e muitas outras ilustres personagens da história do Espiritismo entraram aqui inúmeras vezes. (O jovem na foto é David Balfour, que você conhecerá daqui a pouco. Ele é um dos proprietários do Hotel Baudelaire, junto à passagem. Se você visitar a passagem, procure falar com ele — ou com a irmã, Laura.)
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Não era por uma dessas janelas que Kardec olhava. O apartamento que ele ocupava fica na parte interna.
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Entremos na passagem.
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A seta 1 indica a porta de acesso a uma escada. Era por onde Kardec subia para chegar ao apartamento. Note a clarabóia, indicada pela seta 2. Eu a citarei daqui a pouco. No final da passagem, vemos a galeria comercial.
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A antiga galeria no final.
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O apartamento fica no 1º andar. O portão da passagem está sempre aberto, por isso você consegue chegar até aqui.
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Depois da porta de vidro vista na página anterior.
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Lembre-se da seta 2 naquela foto vista há pouco. Ela indica uma clarabóia na passagem. Agora vemos a parte de cima da clarabóia. Na foto a seguir, você ainda vê parte dela. O apartamento de Kardec fica no lado interno do prédio. Era essa a visão pelas janelas.

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Kardec e Lachâtre

Kardec já estava no apartamento da Rue Sainte-Anne quando ocorreu, em 1861, o Auto-de-Fé de Barcelona, um golpe frustrado contra o Espiritismo.

Maurice Lachâtre, editor e escritor, contestava o regime político francês e a religião católica dominante. Consequentemente, teve problemas com a Justiça. O mais grave foi em 1858, com uma pena de seis anos de prisão imposta pelo regime de Napoleão III. Aflito, ele fugiu para a Espanha, e logo passou a atuar como livreiro em Barcelona.

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Lachâtre

Simpático ao Espiritismo, escreveu diretamente a Kardec para pedir uma remessa de livros. Queria divulgá-los na livraria. Kardec enviou trezentos exemplares… que nunca chegaram às mãos de Lachâtre.

A alfândega espanhola enviou os livros ao bispo de Barcelona, alegando que era necessária a aprovação dele para que a encomenda fosse liberada. O bispo não tardou a classificar de “imorais” os livros. Por serem “contrários à fé católica”, deveriam ser… queimados.

A grande fogueira ergueu-se “na esplanada da cidade de Barcelona, no local onde são executados os criminosos condenados ao derradeiro suplício” (trecho da ata de execução).

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Kardec não se abalou: “Podem queimar livros, mas não se queimam idéias. As chamas das fogueiras as superexcitam, em vez de extingui-las”.

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O mundo despede-se de Kardec

Infelizmente, a Passage Sainte-Anne marca, também, um período extremamente triste na história do Espiritismo.

Em 1869, o contrato de arrendamento do espaço na Sainte-Anne estava no fim. Kardec, com 64 anos (completaria 65 em outubro), ia instalar-se definitivamente em sua propriedade na Villa de Ségur. Aposentadoria, descanso? Pelo contrário: ele tinha muitos planos pela frente, apesar do cansaço. O apartamento na Ségur, aliás, abrigaria a redação da revista.

Um outro projeto a ser colocado em prática era transferir o escritório de assinaturas e de expedição da Revue Spirite para a Rue de Lille, onde ficava a sede da Livraria Espírita. A Sociedade Espírita, agora como sociedade anônima, ia administrar a livraria do grupo, a Revue Spirite e os livros de Kardec. Suas próximas reuniões seriam, provisoriamente, ali mesmo.

As novidades, anunciadas na Revue Spirite, começariam a valer em 1º de abril. Na véspera, 31 de março, o meio espírita entrou em choque.

No início da tarde, no apartamento da Sainte-Anne, Kardec cuidava dos preparativos finais da mudança para a Villa de Ségur. O apartamento encontrava-se no caos natural de uma mudança. Um caixeiro de livraria apareceu para comprar um número da Revue Spirite. Ao entregar a revista, Kardec desabou no chão de repente. Tentaram socorrê-lo, mas era impossível fazer algo — estavam diante de um caso clínico de morte súbita. (Uma das pessoas que acudiram foi Alexandre Delanne, pai de Gabriel Delanne, cujo túmulo vimos no início deste guia.)

Kardec trabalhava incessantemente. Sua saúde já estava meio abalada, mas não apenas por excesso de trabalho. Ele vinha sofrendo com traições dentro do meio espírita.

Preciso abrir dois parênteses neste assunto, ambos ligados ao já citado livro Allan Kardec — Análise de Documentos Biográficos. Os autores, Martins e Barros, apontam argumentos sólidos para afirmar que, ao contrário do que dizem algumas biografias, Kardec morreu às 2 horas da tarde, não no final da manhã.

O outro parêntese é a causa da morte. Biografias registram a ruptura de um aneurisma (na aorta descendente, segundo alguns estudiosos). No livro de Martins e Barros, uma nota da editora traz uma observação que me parece a mais lógica. A causa da morte teria sido uma parada cardíaca após um infarto fulminante do miocárdio (ele era cardíaco).

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Hotel Baudelaire Opéra

Por fim, uma observação especial a quem vai seguir os passos de Rivail/Kardec em Paris.

Junto ao número 59 na Rue Sainte-Anne, temos o 61 (vimos nas fotos). O prédio é ocupado pelo Hotel Baudelaire Opéra (homenagem ao escritor Baudelaire, que lá residiu brevemente).

O hotel é um negócio familiar. Um dos proprietários, David Balfour, muito solícito, ajudou-me com informações e abriu o prédio todo para que eu observasse e fotografasse. (Aliás, David mostrou-me um detalhe curioso. Uma página web da prefeitura de Paris informa as moradas de algumas ilustres personalidades da cidade. Kardec está na lista, mas vinculado ao número 61 da Rue Sainte-Anne. Não me parece um engano, na verdade. O número 59 é a passagem; o prédio todo é um bloco ligado ao número 61.)

David disse-me que muitos brasileiros entram ali para fazer perguntas. Por isso, ele, que até alguns anos atrás nunca ouvira falar de Espiritismo, já leu um considerável material sobre Kardec. Devido ao alto número de brasileiros que passam ali, o hotel agora oferece uma versão em português de sua própria página web.

O hotel, classificado como 3 estrelas, é o mais próximo que você pode sentir-se de Kardec ao hospedar-se em Paris. Eles combinaram o seguinte comigo: quem hospedar-se lá dizendo que chegou por indicação deste guia do Viagem Fantástica receberá um “tratamento muito especial”. Não sei exatamente o que é… mas… aproveite!

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Como chegar

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Localize o prédio direto no Google Mapas.

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PRÓXIMO DESTINO:

da Rue Sainte-Anne à Rue de la Grange Batelière

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A pé (no mapa): 11 minutos. De carro ou bicicleta: 6 minutos.

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