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Alugar bicicleta em Paris: dicas e alertas para explorar essa deliciosa cidade

Bicicleta. Que delícia de transporte! Usar isso para passeios em cidades evoluídas torna-se cada vez mais uma tradição entre turistas. A grande fama que envolve Amsterdã nesse assunto alcançou Paris já há vários anos. Saiba, agora, como funciona o sistema de aluguel de bicicletas em Paris. Darei algumas dicas e alertas.

Eu adoro bicicleta, Glauco! Quero mesmo as dicas… S’il vous plaît.

Bien sûr! Prepare o fôlego e venha pedalar comigo.

Bicicletas e Torre Eiffel.

Bicicletas em Paris

Para transportes em Paris, você pode contar com os tradicionais táxi, ônibus/autocarro, metrô/metro. Em alguns trechos, pode usar até o Batobus (linha de barcos no Rio Sena). Dependendo de sua disposição aventureira, no entanto, a melhor ideia pode ser o uso de–

…de bicicleta!

Claro!

Paris está quase tão cheia de bicicletas quanto Amsterdã. Há inúmeras estações de bicicletas espalhadas pela cidade. A pessoa pega uma bicicleta em uma estação e a devolve em qualquer outra. Na onda dos veículos elétricos, o sistema oferece também bicicletas elétricas. Elas têm autonomia de 50km e velocidade de até 25km/h. (Mas que tal favorecer a saúde e escolher a bicicleta mecânica?)

A ideia ficou tão popular que os próprios parisienses usam muito. Não é apenas “coisa para turista”. Vejo sempre pessoas bem arrumadas (homens de terno, por exemplo) pedalando a caminho do trabalho.

Para turistas, o conceito é igualmente prático, inteligente, saudável, econômico, mas com um toque a mais: é charmoso. Impossível negar, afinal: é um charme andar de bicicleta em Paris. Explorar, descobrir essa bela e vibrante cidade enquanto pedalamos aos montes.

Estação de bicicletas em Paris.
As bicicletas verdes são mecânicas. As azuis são as elétricas.
Bicicleta.

Muito interessante! Como, exatamente, funciona o sistema?

Vejamos alguns detalhes.

Como funciona

Faça o cadastro antes da viagem, pela página web oficial da Vélib’. Siga depois AQUI (já na versão em português). Essa página, aliás, mostra um mapa com todas as estações de bicicleta em Paris. Consulte mais tarde AQUI.

Você também pode controlar tudo por aplicação para smartphone. Baixe a aplicação do Vélib’ para iPhone ou para Android.

Pronto o cadastro, já com seus códigos e com a informação do cartão de crédito para pagamento, vamos ao uso das bicicletas.

Imagine o seguinte. Você pega uma bicicleta no ponto A para ir ao ponto C. Passa pelo ponto B, para, mas mantém a bicicleta, pois ainda seguirá até C. Precisa deixá-la sozinha por um tempo? Ela vem com um sistema de segurança para isso. Mais tarde, finalmente no ponto C, você quer devolver a bicicleta. Não vê nenhuma estação? Pode procurar. Haverá alguma por perto – fique de olho nas referências a “VÉLIB'”. Pesquise, pergunte a alguém, especialmente a outro ciclista, ou consulte aquele mapa de estações.

Torre da estação de bicicletas.
Observe o nome VÉLIB’.

O processo de retirar e devolver bicicletas é muito fácil. Com um cartão com tecnologia NFC ou com códigos, o usuário escolhe uma bicicleta e usa o painel que há nela própria para liberá-la do ímã que a prende à estação. Para devolver, basta inserir a bicicleta em uma vaga. Ela volta a ficar presa por um ímã.

Outra estação de bicicletas em Paris.
Foto de uma viagem anterior, mais antiga, por isso vemos o velho modelo de bicicleta. Serve igualmente para ilustrar quanto Paris está cheia de estações de bicicletas.
Várias bicicletas em uma estação.
Mesma situação: foto de uma viagem anterior, por isso o modelo antigo de bicicleta.
Mapa de estações Vélib' em Paris.
Duvida que haja muitas e muitas estações de bicicletas? Nesta imagem, vemos toda a área de Paris – e além. Cada ponto azul é uma estação!

E quanto a preços? Vale mesmo a pena?

Sem dúvida. Você pode ter uma subscrição (período longo) ou um passe (período curto). O passe geralmente é mais apropriado a turistas, que têm poucos dias na cidade. Darei detalhes apenas sobre ele.

Há duas opções para adesão de curta duração.

Primeiro, temos o passe válido por 24 horas, que permite retirar até 5 Vélib’ simultaneamente. Ótimo para grupos, portanto. Para retirar até uma Vélib’, o passe custa 5€. Para ter o direito de retirar 2 bicicletas simultaneamente, o passe custa 10€. Para 3, 4 ou 5 bicicletas, o passe sobe para 15€ – ainda assim vantajoso. Paga-se ainda um extra de acordo com o tempo de uso. No caso da bicicleta comum, é grátis até 30 minutos; 1€ de 30 a 60 minutos; 1€ a cada 30 minutos quando passa de 60 minutos. (Lembre-se: preços podem ser alterados a qualquer momento.)

O passe de 7 dias custa 15€ para o direito de tirar 1 Vélib’ sempre que quiser. Para 2 bicicletas simultaneamente, 30€. Para 3, 45€. Para 4, 60€. Para 5, 75€. Fica assim o pagamento extra pela bicicleta mecânica, de acordo com tempo de uso: grátis até 30 minutos; 1€ de 30 a 60 minutos; 1€ a cada 30 minutos para uso superior a 60 minutos.

Para mais detalhes, inclusive sobre preços para a versão elétrica, siga depois AQUI.

OK, ótimo. Agora uma procupação cresce em minha mente, Glauco. Tenho uma bicicleta e posso ir aonde eu quiser em Paris. Mas como me localizar bem? Como ter segurança nisso?

Tentarei iluminar um pouco a sua mente.

Localização

Se eu tanto pedalo em Paris, como faço para não me perder naquele imenso e agitado território?

Cartoon de smartphone.

Em todas as minhas viagens, tenho um fiel companheiro: o GOOGLE MAPAS.

Essa ideia é ótima. Na verdade, a melhor ideia. Mas você deve ter duas preocupações.

Primeira: uso de pacote de dados. Minha linha pertence a Portugal, por isso eu tenho privilégios ao usar roaming na União Europeia. Gasto meus dados na França praticamente como se estivesse em Portugal. Mas se você é um turista com linha brasileira, pagará uma fortuna pelo roaming. Portanto, deve pensar em um cartão de operadora local. Não esqueçamos também que sempre podemos fazer download de uma determinada área do Google Mapas para uso off-line. Neste caso, baixar Paris no mapa. É útil, mas o Google Mapas nunca funciona a cem por cento em off-line.

Segunda preocupação: o uso frequente de mapas e serviços de localização é um devorador de carga de bateria. O turista prudente sempre tem consigo um carregador portátil de bateria. Cuidado especial aqui, pois há muito lixo no mercado de carregadores portáteis. Recomendo a marca RavPower. Faz anos que eu uso um poderoso carregador portátil dessa marca.

Haja tecnologia! Será que não posso me localizar pelo tradicional método em papeeeeeeeel?

Hum… Deseja uma solução menos século 21?

Cartoon de mapa impresso.

Em cidades turísticas, há mapas impressos em todos os cantos. Em Paris, mapas da cidade estão à venda em padarias, cafés, bancas de rua, lojas, etc. Pode comprar até no aeroporto, ao chegar. Há inúmeros modelos e todos são baratos.

Há quem ache isso mais confortável e mais confiável. Não vou discutir isso profundamente. Mas nada chega perto da rapidez e da praticidade de localizar pontos em um smartphone. Além da rapidez, esses dispositivos indicam os trajetos ponto a ponto, em tempo real.

Gostei de tudo, Glauco. Usar bicicleta em Paris é charmoso, gostoso, prático, econômico. Mas… não é também perigoso? Paris tem um trânsito muito intenso.

Boa questão.

Segurança

Realmente, o trânsito de Paris às vezes assusta. Mas, com os devidos e óbvios cuidados, é tranquilo pedalar nas ruas — mesmo nas mais movimentadas. Há pistas para bicicletas nas laterais, e os veículos costumam respeitar. Mas atenção: bicicletas devem seguir as mesmas regras dos carros. Nada de andar na contra-mão para cortar caminho. Eu fiz isso na primeira vez… e fui parado por dois policiais (não conta pra ninguém).

Alerta, símbolo amarelo.

Com smartphone ou mapa impresso, lembre-se de tomar extremos cuidados com o modo de visualizar informações enquanto você se desloca pela cidade. Uma simples desatenção pode levar a acidente grave.

Há mais perigo quando se usa smartphone. Tendemos a olhar para a tela o tempo todo, acompanhando o deslocamento em tempo real no mapa.

Vai andar de bicicleta? Será que você consegue segurar o smartphone ao mesmo tempo em que controla com segurança a bicicleta? Claro que não. Deixar o smartphone no bolso não é prático, porque obriga o usuário a parar toda hora para conferir a tela. A melhor solução é comprar um suporte especial para prender o aparelho no braço ou na bicicleta. Ou, vamos lá, há um modo ainda mais prático para o século 21, e é o meu preferido: usar um smartwatch. O relógio pode exibir as informações do aplicativo de mapas que corre no momento em seu smartphone. É mais prático, com certeza, mas ainda assim podemos nos distrair ao olhar para o relógio. Todo cuidado é pouco – como bem diz o ditado. Acima de tudo, a regra é: se tiver de parar para consultas, pare em um canto. Não arrisque sua vida por impaciência no trânsito.

E aqui vai um alerta extra. Não ouça músicas enquanto se desloca por bicicleta. Com o ouvido tampado e a música a dominar nossa mente, ficamos um tanto alheios ao que acontece no trânsito. Lembre-se: você está em desvantagem por representar uma bicicleta entre inúmeros carros. Além disso, não tem familiaridade com o ambiente. Está muito mais suscetível a erros.

Seja feliz pedando em Paris!

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

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