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Casais gays em turismo no Egito e em Marrocos


Turistas gays no Egito

 

Egito e Marrocos

Casais gays no turismo

Recebo muitas mensagens privadas aqui no blog. Os leitores pedem todos os tipos de conselhos e dicas. Com certa frequência, chegam mensagens de casais gays preocupados com a condição deles durante turismo no Egito ou em Marrocos.

É natural haver essa dúvida. Não raro a mídia divulga casos espantosos. Há poucos dias, por exemplo, saiu a notícia de que dois homossexuais podem pegar até três anos de prisão por um abraço para selfie em Marrocos (eram marroquinos mesmo, não turistas). Há — acredite se quiser — uma legislação anti-gay no país. Segundo uma matéria da revista Veja, o artigo 489 do Código Penal marroquino determina prisão de seis meses a três anos para homossexuais.

Como fica a situação de um casal gay em turismo em um país assim? O casal deve viajar para lá?

Chegou o momento de escrever a minha resposta direto aqui no blog, em vez de simplesmente responder às mensagens em privado.

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Cuidados

É evidente que um casal gay pode fazer turismo no Egito ou em Marrocos. Eu vivi emoções incríveis nesses países, e espero que eles também experimentem aquelas aventuras. Mas, infelizmente, não posso ter a irresponsabilidade de dizer que não há riscos. É preciso tomar certos cuidados

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Afeto em público

Nunca, NUNCA faça demonstrações públicas de afeto. Nada de beijo, abraço, toque.

Com uma demonstração dessas em público, o mínimo que acontece são olhares de escândalo dos locais. Quem sabe o que mais pode surgir?

Aliás, por que fazer demonstrações públicas de afeto? Em qualquer país, mesmo que seja no seu país, eu acho isso uma falta de educação, mesmo entre casais heterossexuais.

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Cama de casal em hotel

Hotéis estão acostumados a lidar com um público internacional, por isso tendem a compreender melhor as diferenças de comportamento. Mesmo assim, eu não arriscaria.

Recomendo que um casal gay não peça um quarto com cama de casal. Façam como dois bons amigos em viagem: usem um quarto com duas camas.

 

Esteja com um guia

A todas as pessoas, recomendo que estejam com um guia de turismo no Egito. Sempre. Em todos os passeios. Acho isso ainda mais importante quando falamos de mulheres que viajam sozinhas ou de casais homossexuais.

Os bons guias impõem-se. São conhecidos e respeitados pela população local. É improvável que alguém importune os clientes deles. Além disso, os guias estão presentes para darem recomendações e alertas sobre comportamentos, e sabem a quais lugares os turistas não devem ir.

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Respeito aos habitantes

Eu o convido a refletir um pouco.

Quando visita a casa de um amigo, você quer ser (eu espero) uma visita educada. Está no espaço de outro. Respeita as regras e os costumes dali.

Quando fazemos turismo em outro país, nós somos visitas. Não temos o direito de impor nossos hábitos e costumes. Nós é que temos de nos adaptar a eles.

Por mais que achemos estranha ou revoltante uma regra local, nós temos de aceitar. Estamos ali porque queremos. Se somos uma visita educada, o respeito deve partir antes de nós.

Em alguns países, casais gays vivem quase à vontade. Em Paris, por exemplo, tenho visto cada vez mais casais gays nas ruas, com demonstrações de afeto, inclusive caminhando de mãos dadas. Você vai a Paris? OK, pode respirar com certa tranquilidade. Mas não queira comportar-se assim em países como Egito e Marrocos.

Aliás, no Egito, eu vi muitos desrespeitos comportamentais entre turistas, principalmente por parte de brasileiras (e não me refiro agora a homossexuais). Devido ao intenso calor, brasileiras apareciam nas ruas com roupas mínimas, como se estivessem em Copacabana. Uma falta de respeito ENORME por ali! Depois, muitas reclamam dos olhares incômodos e de revolta que recebem dos locais.

Note, então, que os problemas comportamentais não estão limitados a casais gays nesses países. Simplesmente, a situação fica mais grave quando envolve gays.

Em resumo: respeito aos habitantes, por mais estranhos (aos nossos olhos) que sejam os hábitos e costumes deles.

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NOTA 1 — Curiosamente, apesar de tantas restrições de afeto público nesses países, é comum ver homens no Egito beijarem-se no rosto quando se encontram. Também vemos homens dançando juntos (sem corpos colados). Presenciei uma cena dessas em um bar-discoteca do Hotel Le Sphinx, onde hospedei-me no Cairo.

NOTA 2 — Não confunda. No geral, egípcios e marroquinos são muito amistosos com os turistas. Amigáveis, simpáticos, solícitos, calorosos.

NOTA 3 — Eu sinto muito por ver-me obrigado a escrever um artigo desses. Em um mundo ideal, não seria necessário dar “instruções especiais” a casais gays em turismo.

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

6 replies on “Casais gays em turismo no Egito e em Marrocos”

Todos lutam por direitos e igualdade , e pela término do preconceito, mas a chave de tudo está na palavra Respeito. respeitar a cultura, a família , a sociedade. Quando há respeito mútuo, não há conflito. E para tudo tem seu lugar apropriado! Parabéns principalmente por mencionar a vestimenta feminina. Para cada ocasião existe algo apropriado , e não custa nada respeitar a mulheres árabes em seu país.

Oi Glauco
Perfeito seu artigo. Infelizmente há pessoas que não sabem se comportar, mas sua analogia com a vista a uma residência serve bem para ilustrar que na casa dos outros nos comportamos segundo as regras deles. Se não concordamos é melhor não irmos não é mesmo. Pra que beijar na boca em público? E no caso de casais de mesmo sexo, em países radicais, é melhor mesmo dizer que são amigos. Ódio existe em todo lugar e contra todo tipo de pessoas. Discernimento é pra quem tem, certo?
Abs!

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