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Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

Cemitério do Père-Lachaise é um ponto turístico popular em Paris. Desd—

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Sim! É o que chamamos de necroturismo. (Bbbbrrrrr!)

Não importa o dia da sua visita: haverá muitos turistas no Père-Lachaise. São mais de dois milhões de pessoas por ano, por isso ele é considerado o cemitério mais visitado do mundo.

O Père-Lachaise possui uma aura de importância histórica, cultural, por abrigar restos mortais de grandes personalidades, como Marcel Proust, Oscar Wilde, Jim Morrison, Honoré de Balzac, Eugène Delacroix, Frédéric Chopin, Molière, Sarah Bernhardt, Jean de La Fontaine, Auguste Comte, Édith Piaf, etc. Para muitos brasileiros, há um toque especial por estar ali o túmulo de Allan Kardec. Há, também, túmulos de importantes parceiros na vida de Kardec. (Veremos isso abaixo. Eu pesquisei o assunto para escrever o guia de viagem Allan Kardec em Paris, devido à demanda de pessoas que procuravam, aqui no blog, informações sobre “roteiro Kardec em Paris”.)

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

Façamos uma visita virtual ao cemitério, com algumas dicas para que a sua visita seja mais produtiva. Com relação a Allan Kardec, veremos um detalhe que surpreende a maioria dos turistas — até mesmo os estrangeiros que não sabem quem foi “o tal Kardec”.

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Cemitério do Père-Lachaise

Informações úteis

  • Endereço: 16, Rue du Repos.
  • De segunda a sexta, o local fica aberto das 8h às 18h. Aos sábados, das 8h30 às 18h. Aos domingos, das 9h às 18h.
  • A entrada é gratuita.
  • Na entrada, pegue um mapa (também gratuito) de sepulturas famosas. Infelizmente, não aparecem todas as famosas no mapa.
  • Acesso por transporte público:
    • Entrada principal do cemitério (recomendado):
      • Metrô: Père-Lachaise, linhas 2 e 3; Philippe-Auguste, linha 2.
      • Ônibus: linhas 61 e 69, parada Roquette-Père-Lachaise.
    • Entrada alternativa Porte Gambetta:
      • Metrô: Gambetta, linhas 3 e 3B.
      • Ônibus: linhas 61 e 69, parada Martin Nadaud.

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Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

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Tenha foco

Além de consagrar-se na posição de cemitério mais visitado do mundo, o Père-Lachaise mantém-se como o maior de Paris, com uma impressionante área de 44 hectares. Já abrigou os restos mortais de mais de um milhão de pessoas. Tumbas somam 70 mil.

Diante desses números monumentais, não espere conhecer todo o cemitério. É difícil até mesmo limitar-se às pessoas mais famosas sepultadas ali. São dezenas, com túmulos distantes uns dos outros. O turista prudente pega a lista dos principais nomes e faz uma seleção.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

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Um pouco da história

O Père-Lachaise foi inaugurado em 1804. Era a época de Napoleão Bonaparte. O nome do cemitério origina-se de Père François d’Aix de La Chaise (1624–1709), padre jesuíta, confessor de Luís XIV. Ele viveu em uma casa no local da capela.

No início, os parisienses ficaram hesitantes quanto a reservas de sepulturas ali. Em 1815, havia menos de 2 mil tumbas, e o cemitério atingia um total de 17 hectares.

Devido a essa falta de “popularidade”, os administradores consideraram lançar uma grande campanha de marketing. Em 1817, com muita divulgação, os supostos restos mortais de Molière e de La Fontaine foram transferidos para lá. Isso chamou a atenção do povo. Em 1830, já havia 33 mil tumbas. Entre 1824 e 1850, o cemitério sofreu expansões, chegando aos atuais 44 hectares.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris
O túmulo de Balzac é um dos mais populares.

O Père-Lachaise ainda é um cemitério em atividade. São aceitos novos funerais, mas a falta de espaço coloca o cemitério além do limite. Algumas tumbas e mausoléus abrigam restos mortais de vários familiares ao mesmo tempo. Geralmente, cede-se o espaço a uma família por algumas décadas; depois, se o contrato não for renovado, os ossos são transferidos para o Ossário Aux Morts, abrindo o espaço para um novo funeral. Recentemente, devido à lotação do ossário, ossos foram transferidos para o crematório, incinerados e devolvidos ao local anterior.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris
Crematório. Apesar de sinistro, tem uma arquitetura muito bonita.
Cemitério do Père-Lachaise, em Paris
Columbário.

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Cuidados durante a visita

Durante a visita, anda-se muito, e é necessário subir escadas. Portanto, a visita é imprópria para pessoas com dificuldade de locomoção.

Sem sapatos confortáveis, nem tente. Sapatos femininos com saltos seriam um pesadelo pior que ver os mortos levantarem-se das tumbas para atacar os visitantes. 😮 Anda-se por caminhos cobertos por pedras. Recomendo o uso de tênis.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

Cuidado, também, para não passar sede — um alerta ainda maior no verão. Em minha primeira visita, em pesquisas para meu livro, era julho, pleno verão europeu. E eu sem água. Há algumas torneiras pelas ruas do cemitério, mas… você tomaria aquela água?

Convém comprar água em algum bar nos arredores do cemitério. Uma garrafa pequena, para carregá-la facilmente. À direita da entrada principal, em uma esquina, há um bar. Sentei-me a uma mesa, após a visita, para matar a sede.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

Leve água, mas não programe comer lá dentro. (Achou absurdo? Vi pessoas fazerem isso, apesar de ser proibido — e nojento.) Se preciso, coma antes da visita. Os mesmos bares nos arredores servem lanches.

Banheiros são um detalhe menos complicado. É natural surgir alguma necessidade durante uma longa visita. Para alívio de todos, há banheiros no cemitério, mas poucos: na área da entrada principal e na entrada alternativa Porte Gambetta. Não “segure” por muito tempo; pode ser uma longa caminhada até o banheiro mais próximo.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris
Sentado a uma mesinha do bar que fica na esquina (fora do cemitério).

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Aflição ou serenidade?

Se você tiver tempo e se for daquelas pessoas que dizem sentir paz em cemitério, sem se impressionarem com nada, aproveite alguns minutos (horas?) para relaxar.

Há bancos em algumas áreas, em meio a muitas, MUITAS árvores, flores, pássaros. É comum ver visitantes sentados, relaxando, contemplando, lendo um livro. Isso é muito pessoal. Há quem entre lá e goste da visita, pela parte cultural, mas fica ansioso em ir embora.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris
Visitantes sentados, lendo, descansando, refletindo.
Cemitério do Père-Lachaise, em Paris
Por falar em livros… Esta sepultura chama a atenção pelo formato.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

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Cuidados com a saúde

Vi algumas crianças entre os visitantes. Não recomendo isso. Psicologicamente, não sabemos o impacto que a visita terá nelas. Além disso, o ambiente é contaminado, velho, certamente cheio de fungos e bactérias. Imagine, eu vi até pessoas com bebês, que ainda não possuem resistência imunológica apropriada. (Escolas públicas de Paris organizam excursões ao cemitério com os alunos — crianças, inclusive. Além da exploração do rico universo artístico ali presente, os educadores esperam que os alunos passem a enxergar a morte com mais naturalidade.)

O alerta vale também para adultos que tenham enfrentado alguma doença grave recentemente ou que estejam se tratando de uma. Lembre-se: um sistema debilitado fica mais sujeito a contaminações.

Muitos túmulos estão abandonados, em situações realmente precaríssimas. Parte deles tem a tampa ou as portas abertas. O ser humano, curioso por natureza, tende a dar uma espiadinha.

Imagine o que um local desses concentra de agentes patogênicos. O maior perigo é respirar perto. Se você não resistir à curiosidade, ao menos prenda a respiração ao espiar.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

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Comporte-se

O túmulo de Jim Morrison, líder da banda The Doors, é um dos mais procurados… e mais problemáticos.

Desde 1971, fãs do artista reúnem-se junto ao túmulo para beber, fumar e usar drogas. Garrafas, cigarros e seringas podem ser vistos no local. Depois de certa vigilância, o problema diminuiu.

Isso serve de alerta para uma visita responsável ao cemitério — com pleno respeito aos túmulos e a si próprio, protegendo-se de contaminações.

Aliás, pede-se, junto ao túmulo de Allan Kardec, que os visitantes não adotem atitudes de idolatria, nem deixem orações com pedidos ou agradecimentos.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris
Túmulo de Jim Morrison.

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Organize-se

Vimos que é necessário ter foco, sem a pretensão de conhecer todos os túmulos famosos. Mas como organizar-se em um cemitério tão grande?

O cemitério é dividido em Rua (Rue), Avenida (Avenue) e Divisão (Division). Uma Divisão é como uma quadra residencial, cada uma com suas sepulturas. A partir do portão principal, você segue cemitério acima guiando-se pelo mapa que eles oferecem na entrada. Vá conferindo nomes de ruas e de avenidas e números de divisões. Para ajudar mais ainda, pontos como capela e escadas são indicados no mapa.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

A Prefeitura de Paris fornece um mapa mais detalhado que o oferecido no cemitério. Para você ficar mais tranquilo, consulte-o antes da viagem. Imprima e coloque em sua mala. Há uma versão em formato PDF aqui no Viagem Fantástica. Para visualizar, acesse

gdamas.com/Pere-Lachaise-Mapa.pdf

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris

Uma opção para facilitar a sua visita é contratar um guia no local. Informe-se na guarita à entrada principal. (E boa sorte se você não entende francês, porque os funcionários de lá, como a grande maioria dos franceses, não conversam em inglês.) Alguns guias estão disponíveis por apenas 5 euros.

Sinceramente? Acho dispensável esse recurso. Os mapas são fáceis de entender. Além disso, só vi guias falarem em francês.

Há empresas que organizam grupos com guias. Você pode contratar o serviço pela internet, antes da viagem. Por exemplo, visite www.viator.com. O link para a opção do Père-Lachaise, nessa empresa, é bit.ly/guia-pere-lachaise. (Não conheço os serviços deles. Cuidado!)

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Allan Kardec para os brasileiros

O túmulo de Allan Kardec está na Divisão 44, perto do crematório. Para sorte dos turistas brasileiros interessados nisso, ele aparece no mapa gratuito oferecido pelo cemitério.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris, e o túmulo de Allan Kardec
O túmulo, em granito bruto, foi projetado em formato de dólmen, por isso é comum a expressão “o dólmen de Kardec”.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris, e o túmulo de Allan Kardec

Curiosamente, o único túmulo sempre com grande variedade de flores — e flores frescas — é o de Allan Kardec e da esposa. Há dois outros túmulos (veremos abaixo), também especiais para os espíritas, que exibem flores constantemente, mas não na quantidade que se vê ali.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris, e o túmulo de Allan Kardec

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris, e o túmulo de Allan Kardec
“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.”

Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou Allan Kardec, morreu em 1869, aos 64 anos. Foi sepultado no Cemitério de Montmartre, em Paris. Um ano depois, o corpo foi transferido para o Père-Lachaise.

Em 1883, foi a vez da esposa, Amélie-Gabrielle Boudet. O corpo dela está ao lado do marido.

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris, e o túmulo de Allan Kardec
Turistas (não brasileiros) reúnem-se diante do túmulo de Kardec e da esposa. “Mas por que este túmulo é o mais florido? Quem foram essas pessoas?” Vale lembrar que Kardec não é popular fora do Brasil. Apesar de ele ter sido francês, e muito famoso e respeitado na época, hoje ele é pouco conhecido na França.

Brasileiros espíritas que visitam o Père-Lachaise sabem que o corpo de Kardec está ali. Poucos são informados de que duas importantes figuras do espiritismo — intimamente ligadas a Kardec — também estão sepultadas na área: Gabriel DelannePierre-Gaëtan Leymarie. Para saber mais, consulte meu guia de viagem Allan Kardec em Paris. O livro mostra outras fotos, dicas e curiosidades, incluindo a polêmica sobre Kardec e a Maçonaria e a presença diária de uma marroquina que cuida dos túmulos dos espíritas. (Se você tiver a sorte de encontrar essa mulher, poderá ter ajuda extra durante a visita).

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris, e o túmulo de Allan Kardec

Cemitério do Père-Lachaise, em Paris, e o túmulo de Allan Kardec

Eu gostei da minha visita. Apesar de sinistra, foi um banho de História e de Arte.

Não se impressione tanto com o fato de ser um cemitério. Afinal, muitos pontos turísticos populares, em todo o mundo, são sinistros ou macabros, mas as pessoas visitam sem preconceitos. Por exemplo, o sítio arqueológico de Pompéia, na Itália, já recomendado aqui no blog. Lá estão os corpos das vítimas da erupção do vulcão Vesúvio, no ano 79. Outro exemplo é a popular Capela dos Ossos, em Portugal.

Enxergue e viva a História e você saberá absorver o que esses lugares têm de bom para nos contar.

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

19 comentários a “Cemitério do Père-Lachaise, em Paris”

Adoro, pelo lado cultural e histórico dessas grandes personalidades históricas! Gosto, sinto paz! Visitei um cemiterio de celebridades em Hollywood , levei flores aos astros que eu admirava na infância, me fez muito bem! Quero visitar esse em Paris, com certeza!

Oi, Aline!

Então você ia gostar também de visitar o Cemitério Central de Viena. Estive lá, por isso farei um artigo completo aqui no blog. É lindo, de muita paz. Atrai visitantes por abrigar túmulos de grandes compositores, como Brahms, Beethoven, etc.

[…] Hoje, 3 de outubro, os espíritas comemoram o nascimento de Allan Kardec (1804). Em homenagem aos leitores espíritas, destaco um artigo publicado aqui há alguns meses, sobre o cemitério. Há inúmeras informações, dicas e fotos, incluindo o túmulo de Allan Kardec e os túmulos de dois seguidores das obras dele: Leymarie e Delanne. Para ler o artigo, siga aqui. […]

Parabéns pela matéria Glauco!
Apesar de ir pela segunda vez a Paris, estou planejando visitar o cemitério pela primeira vezem outubro deste ano. Inclusive faremos palestras em Portugal. Você disse que escreveu livros infantis. Conhece o livro Meu Pequeno Evangelho com a Turma da Mônica?

Fiquei curiosa sobre a existência – ou não – do túmulo de um jovem amante que tem uma escultura dele deitado sobre a tampa. Faz muitos anos me contaram que a escultura brilha no lugar do pênis, de tanto as pessoas passarem a mão, fazendo pedidos de amor. É verdade? Sei que esse gesto é comum em estátuas de nus, mas não tive oportunidade de visitar o Père Lachaise.

DESEJO MUITO IR PARA FRANÇA E CONHECER TAMBEM O TUMULO DO PROFESSOR RIVAIL E SUA ESPOSA AMELIE, FIQUEI CURIOSO EM SABER SE LEON DENIS TAMBEM ESTA SEPULTADO NESTE CEMITÉRIO, OBRIGADO.

Na minha opinião, bada tem de sinistro visitar o cemitério. Já estive no de Ricoleta, Argentina, para visitar o túmulo de Evita Peron, no de Arlington, Washington, no Jardim dos Fugitivos, em Pompeia. Todas as experiências foram positivas. Na próxima semana estarei no de Kardec. Será mais uma aquisição cultural.

Afff…desculpa, tive que parar no crianças visitando e até bebês…pelo amor!!!
O texto estava bom até aí!!!
É um lugar histórico então deve ser visitado por todos sim e morte é natural!!!!
Muito burra vc!

Questão de opinião.

No final de seu comentário, o correto seria “muito burrO você”.
Obrigado pelo comentário enriquecedor aqui no artigo. Educação comovente.

oi valeu pela filmagem no tumulo do nosso inestimável Allan Kardec, acho o cumulo entre seu próprio povo não ser tão lembrado porem nós brasileiros espíritas o temos em alta consideração, valeu obrigado!

Estive duas vezes em Paris, e não pude deixar de visitar​ o cemiterio, intrigante, os túmulos te fazem pensar, e viajar na história. Com certeza vou novamente

Cemitérios antigos guardam muito da cultura local da época em que foram construídos, desde a arquitetura até as personalidades que lá descansam. Queria ter visto, mesmo que por foto, o tumulto da minha diva Édith Piaf, que apesar de não estar mais fisicamente conosco, permanece eternamente no meu coração.
Adoro seus post, sempre bem escritos e diversificados.

Oh! Ana Lúcia, leitora que tornou-se muito querida aqui, eu tive uns problemas com algumas fotos da visita ao Père-Lachaise. Perdi justamente a foto do túmulo de Piaf! Que pena!

Vi o seu video ,na visita ao cewmiterio P`ERE-LACHAISE. Vou a Paris em Novembro , dessa vez ,justamente para conhecer o cemiterio e vizitar o tumulo de Alan Cardeck. So gostaria de dizer,que moro na Belgica ,em Bruxelas e aqui,estou frequentando um centro ALAN KADERCK, frequentado por brasileiros,belgas , portugueses. Enfim, nao so no Brasil e conhecido o trabalho de ALAN KARDECK, mas tambem em outros paises. Obrigada !

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