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Turismo

Cuidado ao escolher um pacote de viagem ao Egito


Dúvidas expressas em imagem da Esfinge em Gizé

Ao fazer um negócio, todo mundo quer vantagens. Isso é natural. Você quer, eu também quero. Toda economia é festejada. Mas eu tenho observado um problema quando se trata de turismo no Egito. Na busca desenfreada por benefícios, as pessoas às vezes perdem o bom-senso, e isso as faz cair em armadilhas.

Pacotes de viagem ao Egito

Qualidade é essencial

Qualidade no mínimo razoável é essencial em qualquer viagem. Mas alguns destinos exigem atenção muito maior com relação a isso. É o caso do Egito.

Emoji com bandeira do Egito

O Egito é um país que a pessoa provavelmente enxerga como “exótico”. Uma realidade distante, na África, conhecida apenas por documentários, filmes e livros. Pessoalmente, tudo é mais grandioso (na parte histórica) e mais complexo do que se imaginava.

Uma palavra que podemos enfatizar aqui é “complexo”. Vamos marcar bem esta ideia: o Egito é um destino complexo. Outra realidade, outros costumes, além de uma logística diferenciada para os passeios diários.

Aonde ir lá no Egito? Como ir, se não devemos contar bem com os transportes públicos? Como viajar de uma cidade a outra? Onde comer? Quais critérios considerar ao pesquisar hotéis? Como escolher um navio para cruzeiro? Que comportamento devemos ter em certas ocasiões? Para completar, há uma riqueza histórica incrível, incomparável, profunda, a ser descoberta pelo visitante.

Como estruturar, planejar a viagem?

Não é exagero dizer que turistas não sabem organizar bem uma viagem ao Egito por conta própria. Podemos ir além: turistas não conseguem se virar sozinhos no Egito. Isso provoca uma reflexão óbvia: turistas precisam sempre de suporte para essa viagem.

O suporte vem de uma boa agência ou grupo de viagens, que trabalha desde a fase dos preparativos. Depois, na prática, qual será o apoio ao turista durante a viagem? A pergunta não é exatamente qual. É quem. O grande e verdadeiro suporte virá do guia de turismo.

Você deseja uma viagem incrível, memorável? Claro que sim. Mas deve estar ciente de que isso tem um preço.

Não precisamos chegar ao alto padrão, muito menos ao luxo, quando organizamos uma viagem ao Egito. Mas eu ressalto que há um mínimo a ser respeitado. No entanto, em uma coisa você não deve economizar: a qualidade do guia de turismo. Digo com convicção: o guia de turismo é a alma dessa viagem.

Não existem milagres

Não sejamos ingênuos. Em termos de negócios, não existem milagres.

Não existem milagres.

Não

existem

milagres.

Infelizmente, o negócio do turismo no Egito está infestado por situações perturbadoras.

Uma concorrência delirante afeta esse mercado. Um trabalhador da área pode não ter pudores ao tentar destruir a boa reputação de um concorrente, inventando histórias negativas sobre ele e tentando até manipular clientes dos outros para criar conflitos. Concorrência desleal em preços também é prática comum. O que mais eu tenho visto é a manipulação de propostas de viagem para conquistar clientes ingênuos.

O que eu quero dizer com isso?

Mão conta dinheiro.

Vamos imaginar o caso de uma pessoa interessada em um roteiro personalizado para o Egito. Ela procura a agência X, que faz negócios transparentes. Essa agência X manda, por exemplo, uma proposta de 1500 dólares por pessoa. Uma outra agência, Y, fica sabendo disso e, sem pudores, oferece a mesma proposta por… ahn… 1200 dólares. A situação pode nem parar aí. Uma terceira agência, Z, quando vê que Y já baixou o preço para 1200 dólares, simplesmente oferece… ahn… 1100 dólares.

Uau! Muita economia, ahn? Que maravilha!

Mãos em alerta

Pense melhor.

A primeira coisa que o viajante deve fazer é questionar:

Por quê?

Por que Y e Z cobram preços tão inferiores? Como isso é possível? Será que o erro está na primeira agência, X, que simplesmente “explora” ao cobrar mais caro?

Enxergue além do horizonte

Emoji usando lupa

Continue a raciocinar comigo.

Aquela proposta da agência X inclui hotéis, navio de cruzeiro com pensão completa, voos internos (Cairo-Luxor & Aswan-Cairo, por exemplo), todos os transportes necessários para as visitas, motoristas para esses transportes, companhia de guias de turismo de qualidade superior, quase todos os bilhetes de entrada das atrações. Alexandria faz parte do roteiro. Isso significa que, além do guia e do motorista, haverá um transporte terrestre de três horas a partir do Cairo. Oh, veja só. Até Abu Simbel aparece na proposta — destino que costuma estar como opcional em outras agências. Abu Simbel também significa guia, motorista e transporte para mais uma viagem terrestre.

OK, a proposta foi de 1500 dólares. Faça as contas. Sinceramente, fica até difícil entender como é possível tudo isso por aquele valor.

Emoji em dúvida.

Agora pense além.

Pense.

Releia o parágrafo que lista tudo o que inclui no pacote. COMO você imagina uma outra agência cobrar 1200, ou 1100, ou menos ainda por um roteiro personalizado daqueles?

Isso é uma monumental esperteza. Uma manipulação. E os turistas, na ganância do lucro, caem na história.

A proposta de outra agência até pode parecer igual, mas algo deve haver nessa história para justificar as diferenças.

Há várias maneiras de manipular roteiros para descer preços. Por exemplo, enfiam o cliente em um grupo numeroso de turistas — talvez um muito numeroso. Diminuem barbaramente a qualidade dos guias (justamente os guias, tão essenciais nessa viagem!). Trocam viagens internas de avião por trem. Planejam “empurrar” os clientes a várias lojas para ver se ganham comissões em vendas que compensem o preço baixo do pacote. Tiram qualidade de hotel ou de cruzeiro. (Ou podem até exibir hotel e cruzeiro de alta qualidade, para encantar, mas certamente com algum “truque” em outro lugar da proposta.)

O meio mais comum é apelar aos tais dias livres. Os famosos dias livres. Um, dois, três, quem sabe mais ainda dias livres.

Algemas

Um dia todo aparece como livre na proposta. Claro que isso diminui o valor total no momento de apresentar a oferta do negócio. Mas, na prática, naquele dia livre, o turista não aceitará ficar olhando para o teto em um quarto de hotel ou de navio. Ele desejará algo. Claro que sim! Quem vai ao Egito para perder um dia todo? Então, já durante a viagem, ansioso, o turista perguntará como ele pode preencher esse vazio tão chato. A agência terá “incríveis oportunidades” para ele. Sabendo que o cliente está preso a ela — não pode procurar outra agência. Com isso, cobra-se do cliente além do normal, porque ele tornou-se praticamente um “refém”. E lá vai o cliente pagar mais caro para conhecer Abu Simbel, a vila núbia, o passeio de faluca, etc.

Enfim, a pessoa que tanto quis economizar lá no início acabou gastando igual ou mais que o valor apresentado pela transparente proposta da agência X. A tal agência X que até preparava mais qualidade para ele, inclusive com guias de mais nível.

Isso é bom negócio?

Roteiro personalizado e excursão

Uso acima como exemplo a compra de um roteiro personalizado. A situação de um roteiro personalizado é MUITO diferente do que envolve um pacote tipo excursão. Eu ressalto qualidade neste artigo, e isso é possível conseguir bem apenas com roteiros personalizados.

Emoji viajante

Com o personalizado, o turista escolhe como será a viagem. Monta o roteiro, assessorado pela agência. O dia de chegada e o dia de partida não são pré-determinados. O cliente escolhe inclusive isso. Os passeios podem ocorrer em privado ou em pequenos grupos.

A excursão, no extremo oposto, quase não traz escolhas. Chegada e partida são pré-determinadas. Locais a serem visitados já estão definidos pela agência. Há poucas ou nenhuma opção extra de hotel ou de cruzeiro. Certamente a viagem ocorrerá em um grupo, que deve ser numeroso.

ortando custos

O espírito de uma excursão é cortar custos. Para atingir esse objetivo, a agência diminui qualidade de hotel e de cruzeiro, e quem sabe até a qualidade dos guias. Viagens aéreas podem ser trocadas por transportes terrestres (trem, ônibus). E, acima de tudo, apela-se aos tão falados dias livres. Claro: com menos dias ocupados, o valor por pessoa cobrado inicialmente pela agência fica mais baixo.

Então é errado ou inadequado uma agência oferecer excursão? Claro que não. Justamente por ser uma opção bem mais econômica, a excursão ajuda muitas pessoas a realizarem o grande sonho de conhecer o Egito. O que destaco aqui é o seguinte: justamente por sua essência econômica, pacotes de excursão ficam ainda mais suscetíveis a manipulações. Além disso, tenha o bom-senso de não esperar — nem exigir — pela mesma qualidade do roteiro personalizado.

Acima de tudo, observe preços. Sim, excursões são mais baratas, mas cuidado com as ofertas “milagrosas”. Vale a grande máxima popular: o barato pode sair caro. Mais uma vez: não existem milagres em negócios.

Dá para sentir a seriedade de uma agência

O feeling com relação a agências costuma dar certo. Eu noto que clientes “sentem” algo ruim ou bom, de acordo com o atendimento, com a transparência das informações, com as explicações sobre os roteiros, as dúvidas esclarecidas. Às vezes, por uns tantos dólares, eles vão contra o próprio feeling, sendo portanto eles próprios os responsáveis pelos possíveis problemas futuros.

Como observar melhor isso? Algumas pistas ajudam a montar o quebra-cabeças.

Por exemplo, não é necessariamente ruim uma agência apresentar uma proposta com dia(s) livre(s). Mas tome cuidado com abuso de dias livres. Nunca é bom sinal.

Às vezes, a agência sente que é conveniente apresentar um ou dois dias livres, principalmente no caso de uma excursão. Mas então ela é clara com relação a isso. Fala a respeito. Até aponta passeios que poderão ser feitos no dia. Não deixa “surpresas” para depois. Fala antes da viagem.

Procure também se a agência evidencia os próprios termos de serviço. Os termos estão bem expostos no site? Eles falam sobre os termos, sugerem que você os leia?

Respondem dúvidas? Com boa vontade e com SEGURANÇA?

Um outro bom indicador sobre a qualidade de uma agência é ela dedicar-se a falar mal da concorrência. Agências ou guias que falam mal dos concorrentes são sempre um PÉSSIMO sinal. CUIDADO.

Emoji fazendo fofoca

Acima de tudo, o que eu gosto de sugerir é: ligue seu radar quando aparecerem preços “maravilhosos”.

Bom-senso é o termo-chave ao contratar uma viagem para o fabuloso Egito.

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

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