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Gorjetas no Egito: dicas básicas para a sua viagem

Gorjetas no Egito: muito e muito se fala sobre isso, e turistas ficam em dúvida. Por que o assunto é tão insistente? Como você deve encarar essa tradição no Egito?

Chegou o momento de obter algumas respostas: a quem dar gorjeta; a decisão sobre os valores; como oferecer. E saiba de um caso em que a gorjeta não é opcional.

Pegue suas notas de libra egípcia e venha comigo.

Dinheiro para dar gorjeta no Egito.

Gorjetas no Egito

Questão cultural

Baksheesh. Baksheesh. Baksheesh.

Durante a sua visita no Egito, você ouvirá essa palavra inúmeras vezes.

Baksheesh. Baksheesh. Baksheesh. Baksheesh.

OK, Glauco. Já despertou a minha curiosidade. Por que essa palavra?

Com baksheesh (vá se acostumando), eles estão simplesmente a pedir uma gorjeta, ou gratificação.

Sinceramente, eu não sabia disso ao visitar o Egito pela primeira vez, vários anos atrás (por isso é importante você ler um blog como este). Meu primeiro contato com o baksheesh aconteceu no primeiro dia de passeios, ao visitar o Museu do Cairo.

Fachada do Museu do Cairo
Fachada do Museu do Cairo.

Eu fui ao banheiro do museu. Depois de lavar as mãos, virei-me para pegar um papel. Para minha surpresa, um homem adiantou-se e pegou o papel para mim. Já à porta, eu o ouvi dizer: “Baksheesh”. Estranhei. Confuso, acenei com a cabeça e saí de lá. Comentei isso com meu guia, então ele explicou a história. Fiquei com remorso por ter ignorado o homem.

Mas por que ele pediu a gorjeta ali, e fazendo aquilo?

Procure abrir sua mente para assimilar melhor comportamentos de outras culturas. Entenda: o baksheesh é cultural no Egito. Pode acontecer em qualquer lugar. Acima de tudo, assenta-se em uma necessidade social. É um modo importantíssimo de a população complementar a renda com os abundantes turistas. Por isso, devemos compreender e respeitar.

Um detalhe curioso e — por que não? — até admirável envolve o assunto.

Os egípcios precisam desse dinheiro, mas não querem pedir por nada, como uma esmola. Em vez disso, procuram esforçar-se para fazer algo pelo turista, e então pedir a compensação. Se não houver algo realmente útil para justificar o dinheiro, eles colocam a criatividade em prática, às vezes com boa dose de esperteza. Foi o caso daquele que pegou o papel para mim no banheiro do museu. Nesse esforço, chegam a criar situações cômicas. Por exemplo, houve uma história engraçada comigo no Vale dos Reis.

(Artigo continua após este recado.)
Turismo no Egito? Conheça o MEU EGITO. Eu mesmo, G. DAMAS, lá recomendo os melhores guias de turismo egípcios — aqueles em quem eu mais confio. É uma parceria oficial. Lembre-se: em um destino exótico e complexo como esse, a sua viagem está nas mãos dos guias. Por isso, tenha preocupação com qualidade. Para saber mais, siga depois AQUI.

No Vale dos Reis.
Caminhando pelo Vale dos Reis, prestes a visitar algumas tumbas (entre elas, a tumba de Tutancamon).

Uma tumba ficava em um local em penumbra. Para espiar dentro, era preciso usar lanterna. Prevenido, eu levava uma bolsa com alguns objetos úteis para esse tipo de viagem — uma lanterna, inclusive. Ao chegar à tumba, vi que um habitante local ficava ao lado com uma… lanterna. Iluminava o interior da tumba para cada turista espiar. Justificava um serviço, enfim. Em seguida, baksheesh. Mas ora, eu estava com a minha lanterna. Esperto, aquele homem, na minha vez, não usou a própria lanterna, mas apontou para um ponto qualquer dentro da tumba. Quando eu virei as costas para sair, ouvi o pedido de baksheesh. Em inglês, expliquei que eu mesmo havia iluminado a tumba. Pensa que ele desistiu? Criativo (!), ele me disse: “Mas eu apontei para você onde iluminar com a sua lanterna”. 😀

Curioso mesmo, Glauco! É bom saber de tudo isso. Eu vou me preparar bem para lidar com pessoas carentes no Egito que tanto precisam de baksheesh.

Não se precipite em seus conceitos. Sim, o baksheesh é de extrema importância para egípcios carentes, mas não está restrito a eles. Lembre-se do que eu escrevi ali em cima: é uma questão cultural no Egito. É hábito. É rotina. Portanto, envolve todos os tipos de pessoas, também de classes sociais mais privilegiadas. Seu guia de turismo egípcio, por exemplo.

Ah, bem lembrado! A quem dar baksheesh, afinal? Como? Quanto?

Vamos pensar um pouco.

Baksheesh: quem, quando, quanto

Pedidos de baksheesh chegam inúmeras vezes por dia, em locais públicos. Será “maldade” não dar dinheiro todas as vezes? Você sempre deve dar baksheesh?

Claro que não. As pessoas devem entender que você já está com gastos consideráveis para bancar essa viagem. (Os gastos locais não são altos no Egito. Mas há outras despesas de peso, como os voos internacionais e os hotéis.) Simplesmente, faça o máximo para colaborar eles. Se você puder dar gorjetas sempre, ótimo. Mas quase ninguém pode tanto. O que impera, então, é o bom-senso. Dar quando achar conveniente ou necessário. Quando precisar recusar, recuse. Você vai ter pena, e alguns vão insistir MUITO. Mas assim é o jogo.

Notas de dinheiro egípcio.

Quanto dar a uma pessoa humilde, em uma situação trivial de rua? Mais uma vez eu digo: bom-senso. Não posso falar em um valor exato. Não se acanhe com valor baixo, porque a soma de valores baixos recebidos pode valer bastante para a pessoa. Quanto ela merece? Quanto ela precisa? Quanto você pode dar? O que ela fez por você? Na dúvida, consulte a pessoa que deve ser o seu maior suporte durante toda a viagem: o seu guia.

Para ilustrar um pouco isso, pensemos em um caso que até emociona. Durante passeios de faluca, no Rio Nilo, algumas vezes garotos carentes aproximam-se em “barquinhos” rústicos e cantam para os turistas. Ao descobrirem a nacionalidade de um turista, cantam uma música típica da língua dele. O repertório é grande — incrível. Sabem cantar Aquarela Brasileira para brasileiros e um fado para portugueses. Depois da música… baksheesh, é claro. E eles merecem!

Mendigo do Nilo canta para turistas no Rio Nilo.
Garoto canta para mim durante passeio de faluca.

Alguns casos me incomodam, e eu não dou mesmo dinheiro nenhum. O maior exemplo disso é a pessoa que diz manter limpo um banheiro público e fica plantada à porta à espera de gorjeta. Mas você encontra um banheiro imundo. Passei por isso principalmente em Saqqara e no caminho até os templos de Abu Simbel. (Saiba que isso acontece também aqui na Europa. Exemplo típico: o banheiro do famoso Mercado de San Miguel, em Madrid.)

Preste atenção agora a um caso especial.

Guias de turismo e motoristas formam um caso à parte. Espera-se uma gratificação melhor a esses profissionais. Eles contam com isso. Outra vez, eu apelo ao bom-senso se você me perguntar sobre valores. Como o guia, por exemplo, foi para você? Quanto ele se dedicou, quanto fez a sua viagem ser incrível? O guia é TUDO em uma viagem ao Egito. E o motorista que o acompanha faz parte desse esforço.

OK, Glauco. E qual é o tal caso de valor específico de gorjeta no Egito?

Sobre valor fechado, determinado, eu posso falar apenas para quem vai viver o delicioso cruzeiro no Nilo. Esse baksheesh não é opcional, e costuma ser pago à parte lá mesmo (não incluído no valor do pacote da viagem). Cada turista desembolsa 30 dólares. Pode pagar diretamente ao guia. Sim, pode confiar nisso. Eles têm um esquema organizado. O guia vai distribuir esse dinheiro, que já vale como baksheesh para a tripulação do navio e até para outros casos dessa fase da viagem, como o condutor da faluca no Rio Nilo, o condutor do barco que vai até a Ilha de Filae e o cocheiro que leva turistas até o Templo de Edfu.

Como dar baksheesh

Facilita ter a moeda local oficial, libra egípcia, para pagamento de baksheesh. Principalmente em situações mais triviais. Para o caso do navio, ou do guia e do motorista, é tranquilo pagar também em dólares ou euros.

Gostou?

Obrigado por essas explicações, Glauco!

Ótimo. Mas espera aí, não vai sair desta página agorinha não. Eu tive o trabalho de escrever este artigo enorme! EU QUERO BAKSHEESH!

E viva o Egito! 😉

(Artigo publicado originalmente em 2013. Reformulado em 2019.)

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

12 replies on “Gorjetas no Egito: dicas básicas para a sua viagem”

Eu fiquei um pouco impressionada porque, mesmo dando gorjeta alta, eles fizeram cara de quem não gostou. Dei 400 libras para um guia e vi claramente que ele ficou bravo… Triste isso, fica uma situação desconfortável!

Olá!

Irei em março do ano que vem pro Egito (sonho da minha vida!).
E claro que acabou saindo bem mais caro que qualquer viagem que eu já fiz por outros países. Fico preocupada com essa questão das gorjetas. Eu irei com a Memphis Tours, teremos guia o tempo todo e não faremos nada por conta. Terei que dar gorjeta a esses guias já contratados pela agência no pacote também?
Quanto de gorjetas você gastou por dia mais ou menos?

Débora, vc gastou quanto de gorjeta? irei com a Maktub Travel, que no momento está sendo mais em conta. A minha preocupação tbm está sendo as gorjetas.

Muito legal seu Blog. Eu e meu esposo pretendemos ir em outubro/17. Gostaria de saber, pq não recomenda o passeio de camelos.

A viagem ao Egito será nossa primeira viagem fora da América do Sul e as informações foram muito interessantes e úteis. Um país com cultura e costumes muito diferentes do Brasil, cuja história sempre encantou aqueles que gostam de viajar.

Bom Dia!
Gostei muito do seu blog!
E também fui pro Egito em julho de 2013,não foi diferente comigo a respeito das gorjetas.
No princípio da viajem dei muita gorjetas, mas depois comecei a ignorar.
A verdade é que eles acham que devemos dar gorjeta, somente os guias agradeceram!!!Meu ponto de vista.

Elizeu
São Paulo/SP – Brasil

Um dos aspectos normais e indispensáveis quanto ao tratamento do dia-a-dia no Egipto é a concessão de gorjetas. Em alguns setores é muito importante dar gratificações mas não é obrigatório. Na maior parte dos casos, as gorjetas desempenham um papel importantíssimo para apoiar os salários básicos que em geral não são altos. Na verdade, o normal é sempre deixar gorejatas nos restaurantes, bares, cafés, hotéis, cruzeiros quando se oferece a fatura ao cliente, e ao pessoal que dá certos serviços durante a estadia do turísta como o guia, o motorista, e o representante da agência de viagens, pois é um costume. Também é recomndável levar troco e moedas pequanas, no bolso para dar uma gorjetinha ao bagajeiro e ao empregado de limpeza em restaurantes e banheiros que se encontram nos sítios de monumentos, em alguns restaurantes e hotéis. Para o turísta que usa o seu automóvel no Egipto, é aconselhável deixar uma moeda pequena ( do valor de uma ou duas libras) ao impregado que lhe serve. pois é um hábito comúm entre todos os egípcios. O valor das gorjetas ao pessoal que serve o turista é uma avaliação pessoal que depende de cada um conforme o valor da fatura, o nível do lugar e a categoria do serviço oferecido, sem esquecer o elemento da generosidade individual e a capacidade econômica de cada um. Apesar disso, quanto as faturas de restaurantes sempre é recomendável pagar uma gorjeta de 5% – 10 % do valor total se não tiver os 12 % de serviço. Caso tiver os 12 % também se paga uma gorjeta pequena ao empregado de mesa porém, em geral, não superpassa 5 % do valor total. Afinal e ao cabo a gorjeta é uma coisa pessoal.

Ótimos esclarecimentos, Ihab! Leitores, aqui está mais um grande guia de turismo egípcio recomendado pelo blog.

Apesar de ser guia turístico no Egito , mas acredita Glauco que não sou capaz de contar de forma detalhada e descritiva a questao das gorjetas . Foi muito bom , ate tambem fiquei impressionado que voce lembra dos locais onde mesmo pedem gorjetas . com as fotos ficou todo bem claro. de modo geral as gorjetas e uma tradicão ,foi sempre conhecido que a gorjeta não pode pedir nem pode recusar . e sempre muito bom por parte do turista valorizar qualquer tipo de (Servico humano )
o que acontece em alguns locais turisticos , por exemplo interior das piramides de Giza , de Saqqara , no vale dos reis , os guardas que deveriam ser responsaveis de manter o local por impedir o turista de tocar ou tirar fotos , infelizmente eles fazem ao contrario , pedem de voce tirar fotos , e no final eles aplicam as vezes uma taxa ( Isso eu não considero Gorjeta ) e triste , por tanto aconselho qualquer visitante do Egito de respeitar as regras ao visitar os monumentos . primeiro para ajudar em preservar esse patrimônio , também para não deixar alguém explorar você durante o seu tour nos locais mencionados encima.

Obrigado por seu comentário, Hadi! E atenção, leitores. O Hadi é um conhecido guia de turismo no Egito. Está recomendado aqui no blog. Há um artigo sobre ele.

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