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Paris em julho: evite esse mês para a sua viagem

Jardim das Tulherias

Quem não se encanta com Paris, não pode se encantar com mais nada nesta vida. A cidade é um sonho. E a mais bonita do mundo, aliás.

Já estive lá algumas vezes. Mas a viagem mais recente foi uma decepção. Pela primeira vez, aconteceu em julho. Jurei a mim mesmo nunca mais voltar à cidade nesse mês.

 

Paris em julho

Julho é alta temporada em Paris. O número de turistas explode. Tudo fica lotado, difícil, exigindo de nós sacrifícios maiores.

Para piorar, a temporada não é a única coisa que eu posso chamar de alta. Julho é verão. As temperaturas ficam altíssimas. A cidade vira um forno. Passei lá um calor que posso comparar ao que senti no Egito. Agora imagine-se, por exemplo, em uma fila de horas na Torre Eiffel, debaixo do sol escaldante.

Tudo bem, Glauco. Eu tenho paciência para o tumulto. E, quer saber? Eu gosto de calor!

Ótimo. Mas há um outro detalhe que certamente não será de seu agrado.

Nessa época, os preços de tudo, já naturalmente altos na cidade, vão para as nuvens. Uma exploração. Você precisa fortalecer muito sua conta bancária e seu cartão de crédito para bancar a viagem.

Oh, agora eu me aborreci mesmo!

Eu imagino.

Em vez de um consolo, trago agora mais uma preocupação. Eu me decepcionei com a falta de estrutura que Paris oferece aos turistas nessa época. Eles simplesmente não dão conta da demanda.

Você pode alegar que eles não têm culpa da multidão que chega à cidade nessa época, e que são vítimas da própria popularidade. Compreensível. Mas, em alguns casos, eu noto falta de investimentos e de cuidados especiais que poderiam melhorar a vida dos turistas. Por respeito aos turistas, e até por agradecimento pelo prestígio da visita, a estrutura em alguns pontos deveria ser mais bem planejada. A França é o país que mais recebe turistas em todo o mundo. Se é campeã no turismo, tem que oferecer mais.

Portanto, sem pensar duas vezes, eu recomendo: evite Paris em julho. (Atenção. Eu não disse “não vá a Paris em julho”. Eu disse “evite Paris em julho”. Há uma enorme diferença nisso.)

Veja alguns problemas que me incomodaram:

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Louvre

A visita ao Louvre foi traumática, tão forte era o calor lá dentro. Sim, dentro.

Muito calor em Paris, dezenas de milhares de pessoas no museu ao mesmo tempo… e onde estava o sistema de ventilação eficiente? Minha pressão sanguínea baixou. Passei mal. Com isso, não foi possível visitar com calma as alas. Não era a minha primeira visita ao museu, e eu queria, justamente, voltar o foco a partes não vistas antes. Impossível.

Como a visita é longa, eu parei um pouco para comer um lanche lá dentro. Calor, calor — eu me sentia uma carne em churrasqueira.

Depois de comer, eu queria lavar as mãos. Havia poucos banheiros naquela área de alimentação. As filas estavam enormes, e ainda era necessário pagar para entrar. Eu só queria lavar as mãos. Só isso. Mas paguei a taxa. E calor, calor, calor. Para piorar, o banheiro fedia.

Cada pessoa paga 15€ para entrar no Louvre. Mais a taxa a cada ida ao banheiro. Imagine a arrecadação anual. Há uma BOA verba para um sistema de ventilação, podem apostar.

Pensemos também no inverno. Não há aquele calor infernal lá dentro, mas certamente há o ar viciado, devido aos milhares de pessoas a respirarem ao mesmo tempo. Isso faz muito mal quando não há sistema adequado de ventilação!

Na área externa do Museu do Louvre, turistas, no verão, tentam refrescar-se nas fontes
Na área externa do Louvre, turistas tentavam refrescar-se um pouco nas águas das fontes.

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Torre Eiffel

Um dos elevadores sem funcionar, poucos balcões para vendas de ingressos, um caos na área: eis o cenário para subir na torre. Quem não foi esperto o bastante para comprar tickets antes, pela internet, lamentou muito aqui.

O tempo médio de espera para subir na torre era de 5 horas.

O quê? Espere. Você não errou aí ao teclar o número?

Vou repetir: 5 HORAS.

Desisti. Eu já havia subido na torre. Não me sujeitei a isso naquele dia. Mas e o turista de primeira viagem?

Detalhe: toda essa espera… debaixo de um sol de derreter asfalto.

Caos na área para subir na Torre Eiffel
Área da torre.

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Preços

Há uma grande exploração por ser alta temporada. Eu já disse isso. Algumas vezes, os preços escapam ao bom-senso.

Mas Glauco… não acaba acontecendo isso em todos os países, por causa da alta temporada?

Não. Sinceramente, não vejo notáveis explorações desse tipo em Portugal (principalmente) e na Espanha, por exemplo. Dinheiro | Crise | EconomiaRestaurantes em Paris são um caso gritante.

Todo mundo visita a Champs-Élisées, que é cheia de restaurantes — mais caros justamente por estarem naquele ponto nobre. OK, eu entrei em alguns restaurantes de nome, já era esperado gastar mais, mas houve exageros espantosos. Cheguei a pagar 11€ por uma Coca-Cola e quase 5€ por um café depois do jantar. Não há lógica que justifique isso. Seria natural pagar muito caro por um vinho ou uísque, por exemplo, devido a um artigo de alta qualidade. Mas… Coca-Cola é Coca-Cola… e café é café.

Eu achei caro, e olha que moro em Portugal, por isso tenho a vida já em euros. Turistas brasileiros — que perdem muito dinheiro ao converter real em euro — ficam em apuros!

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Táxi

Estava muito difícil conseguir táxi. Às vezes, uma luta. Não havia estrutura para o maior número de turistas.

Some a isso outros dois fatores comum em Paris.

A maioria dos taxistas não se comunicava nem um pouco em inglês. Alguns se esforçavam, mantendo uma comunicação sem idéias completas.

E o pior: quase nenhum taxista tinha noção de aonde ir quando eu mostrava o endereço. Em qualquer país, taxistas costumam conhecer bem toda a cidade. Em Paris, eles, desorientados, apelaram para GPS e até para mapas impressos. Só o que faltou foi eu ensinar a eles como chegar à Torre Eiffel.

(NOTA — Depois eu descobri um taxista fantástico em Paris. Muito simpático, educado e competente. Jóia rara. Há um artigo sobre ele aqui no blog.)

Táxi em Paris

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Aeroporto de Beauvais

Seu roteiro turístico inclui passagem pelo Aeroporto de Beauvais, perto de Paris? Oh, tenho muita pena de você! Leia depois um outro artigo publicado aqui no blog.

O aeroporto é horrível em qualquer altura do ano, mas certamente transforma-se em um inferno no verão.

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Sede

Com todo esse calor, esse sofrimento, eu desejava, do fundo da minha alma, algo gelado para beber. Podia ser qualquer coisa! Mas, do lugar mais simples ao mais sofisticado, o francês só serve bebida em temperatura ambiente. Não adianta procurar. Isso é cultural.

Quando voltei para casa, uma das primeiras coisas que fiz foi atacar a geladeira para beber um montão de água bem gelada!

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A França é um país fantástico, e eu certamente voltarei muitas vezes… mas não em JULHO.

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

16 comentários a “Paris em julho: evite esse mês para a sua viagem”

Glauco, eu minha esposa e um casal de amigos, estaremos de férias pela Europa em julho de 2016. Passaremos quatro dias em Paris em meados de julho e estamos apreensivos com a situação de revolta dos trabalhadores em relação a reforma trabalhista.
Desta forma, agradeço orientação se devo ir ou cancelar o destino Paris, pelos fatos mencionado?

Samira, cheguei lá dia 20 de julho. Julho e agosto são os meses mais quentes. Aqui eu ressalto julho por ser mês de férias no Brasil, por isso aumenta o número de turistas.

oi,
bom fiquei interessada em saber: qual o melhor mês para ir até Paris?
tenho 13 anos e resolvi viajar em vez de uma super festa de 15 anos,estou confusa um pouquinho,quero visitar a grande e agitada Inglaterra .
entretanto,quero seguir a profissao de moda e acho Paris perfeita, e amo muito suas típicas atraçoes.

me ajude ja procurei em muitos lugares quando é a época de primavera ou outono em Paris mas o resultado foi zerado
tomara que leia isso me responda por favor.

com carinho e muita ansiedade,
-NL

Toda a França fica muito cheia em julho. Paris recebe mais turistas, é claro, por isso você deve ter mais tranquilidade nesse roteiro, A. Stecno. Vá em frente!

Glauco, as vezes não temos como fugir. Temos crianças em casa e a única época é na alta temporada, como será o caso deste ano, quando iremos logo em… julho! Daí vem uma pergunta: existem atrações e passeios alternativos, que não aglutinem uma multidão de turistas? Nós pensamos, por exemplo, em fugir de Paris e ir para a Normandia por alguns dias, visitar a Borgonha em outros, se hospedar e alugar um carro em Lyon e visitar pequenas cidades e vilarejos ao redor, descer até Carcassonee e quem sabe esticar até Provence por 1 semana.

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