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O uso de canábis em Amsterdam: alertas a turistas

Erva. Maconha. Baseado. Charro. Ganza. Canábis (cannabis). O uso do produto está fortemente associado à rotina de Amsterdam. A verdade é que muitos turistas, curiosos, procuram isso por lá. Homens e mulheres, jovens e idosos, de todas as nacionalidades. Desejam a sensação do consumo livre, sem julgamentos nem preconceitos (sinceramente, já vi até freiras lá fazendo isso).

Essa curiosidade toda requer alguns esclarecimentos e alertas. Detalhes que eu comento aqui surgem com base em mensagens de leitores. Eles perguntam de tudo, e esse assunto entra no meio.

Ah, eu quero muito saber sobre isso, Glauco. Assim… ahn… só curiosidade, OK?

Tá. 😉

Vamos em frente.

Exemplo de coffeeshop e do uso de canábis em Amsterdam.
Smoke Palace (placa azul): coffeeshop em Amsterdam.

Canábis em Amsterdam: legal ou tolerada?

Um erro comum entre os turistas é pensar que drogas são liberadas na Holanda. Assim, plural — drogas. Quer dizer, canábis, cocaína, LSD, etc.

Não. As drogas não são liberadas na Holanda.

Como assim, Glauco? Não há o tal do famoso consumo livre em Amsterdam?

No caso da canábis, sim. E apenas a canábis. Mas ela é, simplesmente, tolerada. Há uma enorme diferença entre ser legal e ser tolerado. (Moro em Portugal, por isso estou habituado a falar “canábis” em vez de “maconha” ou qualquer outro nome de tradição no Brasil.)

Holanda é um país sério, culto e organizado. Cuidado para não pensar bobagens

Dentro dessa tolerância, uma pessoa não deve ter problemas com autoridades se tiver consigo um máximo de 5 gramas do produto.

A canábis entra em um caso especial. Na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e em alguns outros países, questiona-se a ideia de falar em “droga”. Muitos não a classificam mais assim. Dizem ser uma injustiça demonizar uma planta que tem revelado até inúmeros efeitos medicinais quando usada de modo controlado. Por isso, preferem falar em “erva”, não em “droga”. E, automaticamente, vem o uso da erva para fins recreativos — tão apreciados pelos habitantes de Amsterdam.

Canábis a ser usada em Amsterdam.

Mas afinal… o consumo, dentro daquele limite, é livre publicamente?

Vamos com calma.

Locais de consumo de canábis em Amsterdam

Não há consumo em lugares públicos fechados. Você não verá isso dentro de hotéis e de restaurantes, por exemplo.

E quanto a locais públicos abertos, como ruas e praças?

Em rigor, o uso não deveria ocorrer nem aí. Mas os holandeses são tolerantes, pouco julgam as pessoas, e então começam as exceções.

Muitas vezes, o cheiro de canábis está no ar de Amsterdam — ele logo será apresentado a seu nariz (não afeta os não usuários; não vejo ninguém passar mal por isso). Por exemplo, em uma de minhas viagens, assim que eu saí do Aeroporto Schiphol, percebi umas pessoas usando. Algumas vezes, ao sair de meu hotel, vi pessoas em frente, na calçada, usando tranquilamente. No Oosterpark (um parque público maravilhoso), também é comum. No Distrito da Luz Vermelha, o uso é uma festa. Senti o cheiro até quando estava na fila (externa ao prédio) do Museu Anne Frank.

Para muitos em Amsterdam, acender um cigarro de canábis é tão natural quanto acender um cigarro comum.

Mas onde habitantes e turistas compram isso? (Não que eu queira saber, viu? Só curiosidade à toa.)

OK.

Um outro erro cometido por turistas é comprar a erva de alguém na rua. Esse comércio é um tráfico, é ilegal, e aí a pessoa pode ter problema. Além disso, a procedência (a qualidade!) do produto é extremamente duvidosa… podendo até ser perigosa.

A compra deve ser sempre em um coffeeshop.

Preste atenção ao modo como eu escrevo: coffeeshop. Assim, tudo junto. “Coffee shop” é diferente de “coffeeshop”. Esse — apenas esse — é o local legítimo para vender a erva. E, em rigor, o consumo deveria ocorrer apenas no interior desses estabelecimentos.

Observe novamente a foto no início do artigo. Eu apontei a placa azul, com o nome do estabelecimento, Smoke Palace. Acima da placa, em verde, está escrito “Coffeeshop”.

Coffeeshops estão em todos os lugares

Essa é a única identificação para você ter certeza de que pode entrar e, naturalmente, pedir canábis. A lei proíbe outro tipo de publicidade.

Há inúmeros estabelecimentos desses espalhados em Amsterdam. Não pense que estão limitados a periferias, a lugares obscuros. Estão mesmo em pontos diversos, inclusive em “locais familiares”. Aquela Smoke Palace, por exemplo, fica a poucos passos do hotel The Manor Amsterdam, onde me hospedei em uma de minhas viagens.

Cuidado com a ingestão de canábis

É comum turistas passarem por grandes dificuldades devido à ingestão de canábis. Agem com inocência e dão-se muito mal.

Ingestão? Não seria fumar a canábis?

O consumo ocorre também por ingestão (inclusive no uso medicinal). Produtos comestíveis especialmente preparados com canábis estão à venda naquelas lojas. É o caso dos space cakes.

Turistas “ingênuos” passam por grandes apuros

A inalação (fumar, aspirar) de canábis permite maior controle sobre os efeitos no organismo. São praticamente imediatos. Podem, sim, acentuar-se uns minutos depois, mas a pessoa, de modo geral, sente melhor se os efeitos estão fracos ou se já são fortes.

A ingestão de produtos com canábis muitas vezes causa ENORMES SUSTOS em turistas sem experiência. O efeito do THC (o componente que causa as sensações psicodélicas) pode demorar para aparecer. Varia em cada pessoa. Isso vai de uns poucos minutos a umas 3 ou 4 horas.

Entendi. Mas… qual o mal disso? Qual o susto?

Um turista inexperiente come, por exemplo, um space cake e não sente nada. Nem uma hora depois. Ele pensa que não comeu o suficiente… e come mais. Duas horas depois, nenhum efeito. Então ele come mais. De repente, quando finalmente começam os efeitos, vem tudo SOMADO, forte, levando a pessoa ao desespero. Turistas assim correm para a emergência de um hospital (e, sinceramente, as pessoas no hospital vão rir deles depois).

Nunca se sabe ao certo a quantidade de canábis em um produto comestível. Nem o nível de THC e de CBD. Além disso, os efeitos dependem do metabolismo da pessoa. Portanto, o turista que se aventura em comer isso tem de esperar, mesmo que seja por algumas horas.

Aeroporto

Eis uma das perguntas que leitores enviam:

Se o consumo de canábis em Amsterdam é tranquilo, eu posso comprar “um extra” para levar na mala, ao voltar para casa?

NÃO! Nem sonhe com isso. Você poderá ser PRESO no aeroporto de partida ou no aeroporto de chegada.

Vá com calma e boa viagem!

Este artigo não é um incentivo ao uso. É um breve esclarecimento sobre a realidade de lá, de acordo com questões comuns recebidas. » Publicado em 2016. Revisão: 2020.


GLAUCO DAMAS
Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.
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13 comentários a “O uso de canábis em Amsterdam: alertas a turistas”

Ola Glauco, me tira uma dúvida. Então, para turistas também é liberado o consumo? Posso passar 10 dias em amsterda experimentar nesse local autorizado como um cidadão? E ao voltar para o Brasil teria problema se por ex a erva ainda estiver no sangue!? Por ter fumado um dia antes de ir embora… Ou algo assim… dsd ja obrigada

Aline, como turista você pode comprar e usar naqueles locais citados. Compra até com fatura (nota fiscal!). Quanto às outras questões… são mais complexas e eu não me comprometo com respostas. Os turistas sempre têm de considerar a hipótese de ter algum problema em aeroportos, é claro. Mas, regra geral, polícia em aeroportos procura porte de drogas, como prova material, não vestígios de algo no sangue.

Uma cena possível: a pessoa usa antes de ir ao aeroporto e ficam nela vestígios do cheiro. No aeroporto, cães farejadores apontam a pessoa. Ela será verificada, mas não terá porte de nada, por isso não deverá haver prisão nem processo. De modo geral, é isso, mas cada caso tem suas peculiaridades.

Mas nas lojas turísticas onde vendem brownies, chás, bolachas…, falam que pode levar no avião e para fora, pois é legal. “You can take abroad. It’s legal”

Eu não faria isso.

Mas atenção, você pode estar a falar de produtos baseados em canábis, mas SEM O THC, que é a substância de efeitos psicodélicos. Sem THC, a venda é livre em qualquer lugar. Lá eles vendem essências (incensos) e até refrigerantes de canábis. Sim, são baseados na planta, há essências verdadeiras da planta, mas NÃO HÁ THC. Um produto assim pode ser consumido até por uma criança…

Olá!
Seu artigo me tirou muitas dúvidas e me deixou bem mais tranquilo em ir pra Amsterdam.
Uma dúvida que fiquei é sobre os alimentos feitos com Canabis, pode levar no avião?

Pessoal, eu não sou um guia de compra desse tipo de produto. Apenas escrevi um artigo com linhas gerais sobre o assunto, porque essa é uma realidade do turista por lá. De resto, ou algo mais complexo, nada sei.

Oi Glauco, boa noite! Adorei sua página, bastante interessante e explicativa. Tenho apenas uma dúvida: minha filha passou uma temporada em Rotterdam. Conheceu um pouquinho de td. E além do bolo, viu uns pirulitos. Ela gostaria de ” presentear” alguns amigos c esse pirulito. Ela teria problemas ao embarcar lá e desembarcar aqui no Brasil? O que vc poderia me dizer sobre isso? Parabéns e já de antemão, agradeço.

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