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Catedral de Silves (Algarve): em mau estado, mas a visita vale a pena

Silves, no Algarve, é uma das maiores importâncias históricas em Portugal. A cidade respira o passado, por isso ainda é palco de interessantes descobertas arqueológicas. Turistas, é claro, encantam-se com essas riquezas. Entre os pontos mais procurados, está a Catedral de Silves.

Eu moro no Algarve e vou a Silves com frequência. Já estive várias vezes nessa catedral. Mostro agora a construção para você, em detalhes, com muitas fotos e algumas informações básicas para a sua visita.

Rua em Silves, com vista para a Catedral de Silves.
Subindo pelas ruas de pedra do Centro Histórico de Silves, vemos parte da Catedral de Silves.

A famosa Catedral de Silves

Um pouco da história

Construída com arenito de Silves, a catedral evidencia as várias fases de sua construção, em estilos diferentes, com destaque para o gótico. Algumas partes têm uma arquitetura mais elegante e decorações mais atraentes. Vale chamar a atenção, por exemplo, para as decorações em tetos e em colunas.

A construção começou no século 13, dando os primeiros passos para tornar-se sede da diocese do Algarve após a reconquista cristã.

As obras continuaram até o século 15, alcançando o reinado de Manuel I, que ordenou também a construção de um coro. Nesta época, os restos mortais de D. João II dali foram transferidos para o Mosteiro de Santa Maria da Batalha. (D. João II morreu em Alvor, bem perto de Silves, em 1495. O local da morte está sinalizado no Centro Histórico.)

No século 18, a catedral passou por mais reformulações. Ganhou altares e retábulos.

Mas outros trabalhos no meio do recente século 20 desmancharam boa parte das reformulações. Para piorar, desfizeram o coro e o órgão de tubos. Como de hábito, o homem da era moderna não preserva o passado com o devido valor — e nem sabe construir coisas com a sabedoria dos antigos.

O exterior

A Catedral de Silves é vista a partir de diversos pontos da cidade, por estar no alto. Fica muito perto do Castelo de Silves, por isso a posição privilegiada. Castelos eram construídos em pontos altos, para facilitar observação externa e defesa.

Acompanhe comigo estas fotos:

Exterior da Catedral de Silves.
A entrada não é pela porta principal. É pela lateral direita (veja a pequena porta lá no fundo, após a escada).
Exterior da Catedral de Silves.
Sim, eu concordo. Faltam cuidados na fachada.
Exterior da Catedral de Silves.

Uma construção com história que começa no século 13

Exterior da Catedral de Silves (parte de trás).
Parte de trás. Neste ponto de vista, o Castelo de Silves está à minha esquerda, uns passos mais para cima.
Exterior da Catedral de Silves (lateral com a entrada).
Porta de entrada à direita (porta aberta).

Interior

Entre agora comigo.

A visita é muito interessante, mas teremos a decepção de encontrar mais uma igreja HISTÓRICA malcuidada em Portugal. Paredes e peças em más condições, cheiro de mofo, falta de identificações e de explicações em alguns pontos. Tudo isso… apesar de os visitantes PAGAREM para entrar.

Enfim, Câmara de Silves e Vaticano — que certamente poderia interferir nisso — não parecem ter muitas preocupações em usar o dinheiro arrecado em benefício do próprio local.

Crucifixo grande.
Colunas e altar, com os bancos nas laterais.
Colunas da catedral.
Parede e colunas.
Teto e lustre ou candeeiro.
Interior
Paredes e lustre.
Estátua de Jesus
Esta estátua é impressionante! Muito bem feita!
Estátua de Jesus
Estátua de Jesus
Altar
Teto e lustre
Contentor para água benta

É comum encontrar igrejas históricas malcuidadas em Portugal

Contentor para água benta
Parede em mau estado.
A Catedral precisa de cuidados.
Crucifixo.
Maria e Jesus
Interior.
No alto, vestígios de um duvidoso trabalho de restauração.
Pia batismal.
Pia batismal.
Pia batismal.
Interior.
Pintura na parede.
Pintura e moldura em péssimas condições. Qual o nome? Qual a origem?
Inscrições.
Quadro com pintura.
Pintura macabra, também em más condições. O que sabemos sobre ela? E note a parede ao redor.

Na Catedral de Silves, encontramos também algo muito comum nesse tipo de cenário: túmulos. Sepulturas no chão, sobre as quais pisamos, ou em arcas (malcuidadas) em alguns cantos.

Há várias sepulturas. Além de membros do Clero, era comum famílias ricas doarem dinheiro a uma igreja para comprar o direito de sepultura no local. Não faziam isso exatamente por caridade ou para colaborar com obras cristãs. Era mais por interesse mesmo, certas de que teriam um lugar no Paraíso. “Na igreja, perto de Deus.”

Há túmulos de pessoas com grande peso histórico. Por exemplo, a família de um homem que ali está foi pioneira quando povoaram a Madeira. E que tal o túmulo de D. Fernando Coutinho, bispo de Silves? Ele esteve nas negociações que conduziram ao famoso Tratado de Tordesilhas.

Túmulo
Túmulo no chão.
Túmulo
Túmulo
Túmulo
Túmulo
Túmulo
Túmulo
Túmulo
Túmulo

Gostou?

Então, para facilitar a sua vida, localize agora a Catedral de Silves directo no Google Mapas.

Aproveito para recomendar que faça em seguida uma visita à loja de artes em cerâmicas Al-Tannur, a poucos passos dali.

Mapa com a Catedral de Silves.
Balão vermelho: a Catedral de Silves. Seta azul: Castelo de Silves. Seta rosa: Café Inglês, um interessante restaurante junto ao castelo. Seta verde: as antigas Portas da Cidade de Silves (junto a essas Portas, há uma loja de presentes e peças típicas que eu recomendo).

Bons passeios!


GLAUCO DAMAS
Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.
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