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Algumas vantagens do Telegram (esqueça o WhatsApp!)

Considero o TELEGRAM muito melhor em recursos e mais seguro que o WhatsApp. São tantos os recursos notáveis no Telegram que eu precisaria de um artigo dez vezes mais longo. Mostro agora, então, apenas algumas das principais vantagens oferecidas para facilitar nossa vida pessoal e nosso trabalho.

Siga comigo para aprender um pouco.

Recursos notáveis do Telegram

Ressalto: estas são apenas algumas das grandes vantagens.

Não perturbe seus contactos

Fim de noite. Ou madrugada. Você quer enviar uma mensagem, mas receia perturbar seu contacto com o som de notificação. Talvez ele não queira ser incomodado no momento. Pior: pode estar dormindo.

O Telegram oferece duas soluções para isso.

Agendar a entrega

Escreva a mensagem normalmente e escolha dia, hora e minuto para a entrega a seu contacto. Por exemplo, programar para a manhã seguinte — será educado não enviar em um fim de noite.

Como fazer isso?

Em vez de simplesmente tocar no ícone de envio da mensagem, toque e mantenha seu dedo. Aparece um menu com duas opções. Uma delas é agendar a entrega.

Programar envio de mensagem no Telegram, ou enviar sem som de notificação.
Eu uso sistema em inglês, mas dá para você perceber aqui, caso use em português. Depois de tocar e manter o dedo no ícone de envio de mensagem, aparece o menu com duas opções. Escolho a número 1 para agendar o envio.

É necessário fazer isso para cada mensagem que você quiser agendar.

Quando o chat com a pessoa tiver alguma mensagem programada, aparecerá um ícone na parte inferior para você administrar o que está para ser enviado. Poderá apenas ler a mensagem, enviá-la imediatamente, mudar dia e hora de envio ou mandá-la para o lixo.

O recurso revela-se útil em várias outras situações. Sua criatividade é o limite. Por exemplo, agendar mensagens a clientes para evitar esquecimentos (aniversários, datas de entregas, etc.).

Enviar sem som

Observe novamente a imagem acima. Veja a opção número 2 no menu: “Send without sound” — enviar sem som.

A mensagem será enviada imediatamente, mas não haverá som de notificação no telefone de seu contacto. Enfim, liberdade total para escrever, sem riscos de incomodar ou acordar a pessoa.

Vale ressaltar que isso deve ser feito para cada mensagem. Por hábito, podemos tocar no ícone de envio, esquecendo que precisamos tocar e manter no ícone para abrir aquele menu especial.

Ouvir mais rápido os áudios longos

Recebeu um áudio daqueles? Looooongo? É importante e você precisa ouvir tudo? Está sem tempo ou sem paciência?

Tranquilo.

Com o áudio em andamento, toque no ícone “2X” que aparece no alto.

Ouvir áudio em velocidade 2x no Telegram.

O que acontece é óbvio: o áudio corre em dobro de velocidade. Dá para entender bem. Parece narração de futebol nas antigas rádios AM.

Para desativar isso, toque no ícone novamente.

Detalhe: algumas pessoas reclamam que não podem avançar, saltar trechos nos áudios. Essa falsa impressão acontece porque não há uma tradicional barra de progresso. No Telegram, vemos barras sonoras. Basta tocar o dedo nas barras e arrastar suavemente para a esquerda ou para a direita.

Barra de áudio no Telegram.
Tocar nestas barras e deslizar o dedo para a esquerda ou a direita.

Editar mensagens

Há duas maneiras de interagirmos com uma mensagem já entregue: tocar nela e manter o dedo ou simplesmente dar um toque rápido. Aparecem as tradicionais opções de responder à mensagem, encaminhar, apagar, copiar.

Mas o Telegram, sempre à frente, traz um grande benefício: editar a mensagem. Isso mesmo: editar inclusive uma mensagem já enviada.

Editar mensagens no Telegram.
O lápis, marcado em vermelho, permite editar uma mensagem já entregue.

Nada mais de enviar uma mensagem e apagá-la por causa de um erro — e reenviar, corrigida. Muito menos aquela mania de deixar a mensagem com erro, mas em seguida enviar outra com um * e a correção.

Apagar mensagens

Quer algo mais drástico? Apagar uma mensagem, em vez de editar?

No pobre WhatsApp, você tem uma hora para mudar de opinião e apagar uma mensagem.

Não há limite no Telegram. Pode ser mensagem de cinco horas atrás, de ontem, de uma semana, de dois anos atrás. Seu contacto fica sem nenhum vestígio da mensagem. Não há nem mesmo indicação de que uma mensagem foi apagada (como vemos no WhatsApp).

Proteger seu número de telefone

Uma das maiores críticas contra o deprimente WhatsApp é a obrigatoriedade de você informar seu número de telefone para qualquer pessoa com quem queira trocar mensagens.

No Telegram, opcionalmente (e deve fazer isso!), você cria um nome de usuário único. Em vez de dar a alguém seu número de telefone, pode passar seu nome de usuário. Isso é ótimo, por exemplo, para expor em sites o seu contacto por Telegram. Fica lá o seu nome de usuário, não seu telefone, que é algo tão pessoal.

No próprio Telegram, para adicionar uma pessoa por nome de usuário, você usa o símbolo @ e o nome. Se uma pessoa me diz que o nome de usuário dela é xyz, eu a encontro no Telegram ao fazer busca por @xyz.

Nome de usuário no Telegram.
Configurações do Telegram. Aqui eu vejo meu nome, minha foto, etc. A seta vermelha indica o campo para definir “username”, ou nome de usuário.

Isso fica ainda melhor. O Telegram permite usar seu nome de usuário como link de internet. É sempre o endereço “t.me” + / + nome de usuário.

Imagine novamente o nome de usuário xyz. O link seria: t.me/xyz. Simples, não? Prático. Ao tocar no link, que pode estar exposto em uma página web ou em qualquer outro lugar, a pessoa verá o Telegram abrir uma janela de conversa diretamente com xyz. Tudo sem expor nenhum número de telefone. (Atenção — O chat funcionará normalmente com a pessoa, mesmo que você não a adicione a seus contactos. Mas, se você a adicionar oficialmente a seus contactos, ela poderá ver seu número de telefone.)

Tudo na nuvem

O WhatsApp está vinculado ao smartphone do usuário. Mesmo quando a pessoa acessa os chats via web, pelo computador, o serviço está directamente conectado ao telefone. Não é independente. Na verdade, ali, pelo computador, ele está a espelhar o conteúdo da aplicação no telefone.

O Telegram é independente disso. Funciona na nuvem. Você acessa todo o conteúdo por qualquer smartphone, tablet ou computador que tenha acesso a sua conta. Seu telefone até pode estar desligado quando você acessar o conteúdo por seu computador.

Simplesmente, você começa uma conversa por seu telefone, continua pelo seu computador, depois em seu tablet (mas é só pelo smartphone que você sempre tem acesso completo a todos os recursos do serviço).

Por causa disso, as conversas não são criptografadas por padrão (se fossem, você não poderia começar uma conversa em um dispositivo para continuar depois em outro). Mas o serviço em si funciona em uma estrutura de sólida segurança que tem provado, cada vez mais, a competência dos desenvolvedores.

Atenção: não deixe de habilitar em sua conta a autenticação em duas etapas (quando você insere um código extra, recebido por SMS, por exemplo). Então um código será exigido antes de acessar sua conta em cada dispositivo. Foi exatamente nisso que, no Brasil, Sérgio Moro e Dallagnol erraram barbaramente ao usarem o Telegram. Agiram de modo irresponsável. Não habilitaram autenticação em duas etapas e foram invadidos por hackers. No fim, devido ao caso Moro e Dallagnol, o Telegram pegou uma fama injusta no Brasil: a falsa impressão de ser “inseguro”. Inseguro, ou melhor, sempre suspeito, é o WhatsApp!

Chats secretos

Como eu disse no item acima, as conversas não são criptografadas por padrão. Mas há momentos de maior exigência em termos de privacidade e segurança.

Mesmo que você já tenha aberto um chat normal com uma pessoa, pode abrir outro, em modo secreto. Há duas grandes vantagens nisso.

A primeira, óbvia, é a fortíssima criptografia do chat. Tudo funciona com segurança ainda maior. Outro ponto digno de nota é a outra pessoa não poder tirar cópia da tela (mas cuidado: nada impede que a pessoa fotografe a tela do smartphone usando uma câmera ou um outro smartphone).

O mais admirável é a possibilidade de enviar todas as mensagens em modo de autodestruição. Elas desaparecem automaticamente, sem deixar nenhum vestígio (some do seu Telegram, some do Telegram da outra pessoa, some dos arquivos do Telegram na nuvem).

Quanto tempo para a autodestruição? O Telegram é cheio de configurações. Muito rico. Portanto, o próprio usuário escolhe o tempo. Alguns segundos? Minutos? Horas? Dias?

Em casos extremos de sigilo, escolher alguns segundos é o ideal. A outra pessoa mal tem tempo para ler a mensagem (ou ver a imagem, ou ouvir o áudio). Uns segundos depois e… PUF!, adeus para sempre. Ótimo, por exemplo, para empresas quando trocam ideias sobre um projeto sigiloso.

Chat secreto, grupos e canais no Telegram.
A seta rosa aponta a opção para criar um chat secreto.

Mais uma vez, cito Moro e Dallagnol. Além da óbvia autenticação em duas etapas, e considerando o cargo que ocupavam, é claro que eles deviam ter usado o Telegram em chat secreto, com autodestruição de mensagens. Não adianta um serviço ser eficiente e seguro se a pessoa não fizer bom uso dele.

Nota — Chats secretos, por serem criptografados, não permitem começar a conversa em um dispositivo para depois continuar em outro. Você tem de criar e manter a conversa por seu smartphone.

Grupos poderosos

As pessoas adoram grupos no WhatsApp. Acostumaram-se com a pobreza de recursos dali.

Quem gosta de grupos fica encantado com o Telegram (veja, na imagem anterior, a seta verde apontar para a criação de grupo).

Os grupos são poderosos. Para você ter uma ideia: suportam até 200.000 integrantes (contra 256 no WhatsApp, mas tudo bem, quem chega a 200 mil?).

O que mais interessam são as ricas ferramentas de controle dos grupos. Tudo fica mais organizado, mais fluido, mais seguro.

O administrador especifica se os integrantes podem enviar qualquer tipo de conteúdo. Ou se não podem mandar GIFs animados. Ou se não enviam áudios… e outras opções.

As pessoas no grupo escrevem demais e ninguém consegue acompanhar o ritmo? O administrador pode abrandar tudo, especificando intervalo obrigatório entre os envios de mensagens (e pode criar exceções para algumas pessoas, o que deixa as configurações ainda mais ricas).

Há mais a ser dito. Mas cito agora um detalhe final: grupos podem ser públicos e ter um link de acesso.

Canais

Em que um canal difere de um grupo?

No canal, os integrantes apenas observam. Não publicam nada. Isso serve como boletim, broadcasting. O dono do canal publica conteúdo para os incritos acompanharem. (Na imagem anterior, a seta vermelha aponta a criação de um canal.)

Não há limite para o número de integrantes.

Um canal também pode ser público e ter link para acesso direto. Qualquer pessoa se inscreve.

Modo noturno

O modo noturno é benéfico para nossos olhos. À noite, a aplicação assume tons escuros.

Milhões de pessoas imploram por esse recurso básico todos os dias aos desenvolvedores do WhatsApp. Escrevem nas redes sociais. Pelo visto, a novidade finalmente chega agora em 2020. [Actualização — Abril de 2020 — O recurso chegou ao WhatsApp… como sempre, com muito atraso.]

No Telegram, o recurso existe faz tempo. E pode até funcionar automaticamente, nas horas apropriadas.

Modo noturno no Telegram.

Saiba, aliás, que cada recurso novo que surge no WhatsApp já existe faz tempo no Telegram. Na verdade, o WhatsApp copia o Telegram… em um ritmo bastante lento.

Cópias de segurança

No WhatsApp, os chats estão apenas em seu telefone. E se você o perde ou o vende? Como recuperar as conversas? Para isso você precisa fazer backup (ou cópia de segurança) de suas conversas periodicamente. Embora seja um processo automático, leva uns bons minutos para acontecer, por isso gasta mais carga de bateria. Além disso, consome pacote de dados para fazer upload de tudo o que há de novo. Para piorar, às vezes o processo diário de backup falha e nós demoramos para perceber (já aconteceu comigo umas cinco vezes).

O Telegram não requer backups, porque tudo funciona na nuvem (lembra-se?). Está automaticamente salvo.

Algumas pessoas questionam a segurança do Telegram justamente por ter tudo na nuvem. Acham o WhatsApp mais seguro por manter as mensagens apenas no telefone do usuário (por isso a importância do backup).

Tenho algumas observações sobre isso.

Na nuvem.
Você acredita mesmo no WhatsApp?

Primeiro, é importante ressaltar que não existe cem por cento de segurança digital. Nunca, em lugar nenhum, serviço nenhum (por isso é um absurdo o uso de urnas eletrônicas no Brasil). Podemos nos esforçar pelo máximo de segurança possível, não por uma segurança plena.

Segundo, vale repetir que o Telegram, mesmo com tudo na nuvem, tem funcionado de modo bastante sólido em um ambiente de segurança.

O WhatsApp promete conversas criptografadas e não as mantém na nuvem. Mas o backup das mensagens não é criptografado. A pessoa acha mesmo que está segura? Quem pode um dia ter acesso a esse backup?

Outro detalhe perturba. As conversas no WhatsApp podem ser criptografadas, mas, ainda assim, passam por servidores do WhatsApp. Você confia em Mark Zuckerberg? (Veja o próximo item.)

Pensemos um pouco além. De onde saem os recursos para manter o WhatsApp, se não pagamos pelo uso e não há publicidade? Raciocine. O que há por trás? Acha isso lógico e seguro? (Sabe-se de onde vem o dinheiro para manter o Telegram.)

Considere, ainda, que são cada vez mais comuns notícias de telefones invadidos a partir de mensagens no WhatsApp. Até o poderoso Jeff Bezos, fundador da Amazon, passou por isso.

Sem Zuckerberg

Por fim, uma vantagem sensacional: um produto que NÃO tem Mark Zuckerberg por trás!

Viva!

Mark Zuckerberg.

Zuckerberg, vale lembrar, comanda Facebook, Instagram, WhatsApp. Não confio em nada que tenha ele por trás. O Instagram e o WhatsApp eu já abandonei. Facebook ainda uso, mas em condições especiais, limitando a app e acessando por meio de VPN (detalhes sobre isso ficam para outro artigo).

Dê uma chance ao Telegram. Boa sorte… e boas conversas.

NOTA — Foi graças a incentivos de Vladimir Campos que adotei o Telegram e removi o WhatsApp da minha vida. Obrigado.


GLAUCO DAMAS
Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.
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4 comentários a “Algumas vantagens do Telegram (esqueça o WhatsApp!)”

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