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Restaurante Tavares, Lisboa: o mais antigo e emblemático de Portugal

Lisboa é uma das cidades mais espetaculares do mundo para turismo. Moro no Algarve, sul de Portugal, mas sempre vou lá a passeio. Em cada viagem, descubro novas surpresas, e posso reviver emoções de lugares já visitados tantas vezes.

Dois dias atrás, eu passeava no delicioso Chiado quando fiz uma das mais incríveis descobertas na cidade: o Restaurante Tavares. Frequentado por diversas celebridades portuguesas e internacionais, no passado e no presente, o restaurante exibe com orgulho os títulos de restaurante mais antigo de Portugalo quarto mais antigo do mundo. Por tudo isso, exalta-se também como “o restaurante mais emblemático de Portugal”.

Celebridades do passado e do presente? Glauco… conta logo quais são essas pessoas!

Daqui a pouco eu mostro.

Conheça agora o restaurante comigo… e surpreenda-se.

Restaurante Tavares: fachada

 

Restaurante Tavares, em Lisboa

Um pouco da história

Poucos restaurantes no mundo podem falar de três séculos de existência. A histór—

Espere aí, Glauco! Três séculos? Isso não foi erro de digitação?

Não.

Para um apaixonado por História (com H maiúsculo), como eu, a visita foi uma emoção indescritível. Fez meu coração disparar.

A história do Restaurante Tavares começou — acredite se quiser — em 1784. Foi apenas em 1861, no entanto, que o ambiente ganhou o extremo requinte que vemos até hoje.

Com o tempo, o restaurante foi ponto de encontro da sociedade lisboeta em pleno coração da cidade. Prestigiado por celebridades, foi também o principal cenário para discussões e decisões políticas que pontuaram a vida de Portugal.

 

O luxuoso interior

Ao cruzarmos a porta do restaurante, ficamos encantados com a decoração em estilo palaciano, com inúmeros detalhes pintados em ouro.

As imagens dispensam palavras para descrever o deslumbramento:

Restaurante Tavares: interior

Restaurante Tavares: interior

Restaurante Tavares: interior

Restaurante Tavares: interior

Restaurante Tavares: interior

Restaurante Tavares: interior

Restaurante Tavares: interior

Uau! Glauco, esse ambiente, sozinho, já compensa estar no restaurante!

Claro! Eu sabia que você ia adorar.

Agora pense nas fotos que você acaba de ver. Notou um relógio de parede, acima de um espelho? Há muita história (poderia ser diferente?) que o envolve. O mais interessante a destacar é o fato de ele ser citado no romance Os Maias, de Eça de Queiroz. E pronto, aqui está uma dica de uma das celebridades que frequentavam o restaurante. Aliás, Queiroz adorava comer, ali, perdiz fria e doce de ananás.

Restaurante Tavares: relógio na parede

 

Ponto de celebridades

Vamos acabar com a sua ansiedade sobre as celebridades que marcaram — e continuam a marcar — a história do restaurante.

Finalmente!

O escritor Eça de Queiroz, o escritor Camilo Castelo Branco, a fadista Mariza, o rei Abdullah II (Jordânia), o ator americano Cary Grant, o escritor Ernest Hemingway, a cantora Madonna, a fadista Amália Rodrigues, o primeiro-ministro de Portugal Sá Carneiro e o estilista Jean Paul Gaultier são apenas alguns nomes que enobrecem o livro de visitas do Tavares. (E agora o MEU nome, é claro, depois que lá estive. 😛 )

As mesas são marcadas em homenagem a essas e outras celebridades. Por isso, ao fazer uma reserva, você pode escolher de acordo com uma pessoa que você admira.

Incrível! Glauco, isso é viver um pouco de uma história!

Exato. Eu ocupei a mesa que fica no espaço antes preferido por Eça de Queiroz. Sou fã dele! Até já publiquei, aqui no blog, dicas de viagem relacionadas com ele. (E também dicas ligadas a Fernando Pessoa, caso você queira saber.)

Restaurante Tavares: Eça de Queiroz
A minha mesa.
Restaurante Tavares: Eça de Queiroz
A minha cadeira. Velha cadeira em homenagem a Queiroz.

 

Atendimento

Com um nível desses, espera-se um atendimento primoroso no restaurante. E realmente é.

Os profissionais que nos atenderam foram excelentes. Atenciosos, simpáticos, educados, dedicados. E aqui registro um “muito obrigado” a Pedro, que foi fenomenal. Paciente, ele contou vários detalhes sobre a história do restaurante.

 

Hora de comer e beber

A comida e a bebid—

Ah, já sei, Glauco! É claro! Muito óbvio! Foi tudo ótimo!

Calma. Não pense em óbvio apenas por tratar-se de um restaurante desse nível.

Vou contar uma coisa. Um restaurante desses nem sempre é garantia de comida de alto nível. Já estive em alguns que me decepcionaram muito. Em Lisboa, inclusive. E em vários outros países. Há pouco tempo, por exemplo, na Espanha, eu e minha família fomos a um restaurante desse tipo e deixamos a comida no prato. Isso acontece também com chefs midiáticos, ou seja, os consagrados na mídia. Já escrevi sobre isso no blog. Por exemplo, achei “simplesmente normal” um restaurante do chef Gordon Ramsay em Londres, e odiei (isso mesmo!) um restaurante do chef Jamie Oliver que visitei perto dessa mesma cidade.

Mas voltemos aos pratos do Tavares.

Com prazer, digo que a refeição foi ÓTIMA.  Será que eu ressaltei bem com essas letras maiúsculas? Foi tudo bem à altura da gala do ambiente.

Destaco o meu prato vegetariano. Eu quase sempre reclamo de pratos vegetarianos em Portugal. Geralmente, vegetarianos não comem bem aqui, mesmo nos melhores restaurantes. Não há preocupação com eles. A carta mete logo um esparguete (brasileiros, é assim que se escreve aqui) vegetariano, uma lasanha vegetariana ou uma pobre seleção de legumes salteados. E pronto. Não há criatividade, boa vontade, capricho.

O Tavares é exceção. FINALMENTE, enconrtrei a criatividade que tanto procuro nos restaurantes de Portugal. Escolhi uma tal de feijoada vegetariana e fiquei encantado com o que comi. No final, chamei Pedro e pedi que ele mandasse meus cumprimentos ao chef. Até então, eu só havia enviado cumprimentos em dois restaurantes, e em Amsterdã.

Restaurante Tavares: refeição
Uns “mimos” enviados antes da refeição.
Restaurante Tavares: refeição
Minha irmã comeu peixe.
Restaurante Tavares: refeição
Meu prato vegetariano.

Bebidas são outro destaque. A seleção vai do comum ao mais sofisticado, principalmente quanto a vinhos e a espumantes.

Sinceramente, Glauco? Estou adorando ver TUDO isso. Mas eu fico aqui a pensar em preços, e até em trajes para visitar esse restaurante…

Preocupação natural.

É evidente que os preços dos pratos estão acima da média de Lisboa. Seria ilógico — e até injusto — se eles cobrassem igual. Mas eu não vi abusos ali. Por exemplo, o prato da minha irmã custou 34€. O meu, 31€.

Quanto a trajes, não tenha muita neurose. É claro que o restaurante espera clientes bem vestidos, e você verá isso lá dentro. Mas eles estão no Chiado, em uma área altamente turística. Turistas entram ali aos montes. Pessoas que estão na rua o dia todo, em passeios, mais à vontade com as roupas, e de repente resolvem comer ali. O restaurante está habituado a isso. Você pode ir vestido como está, desde que tenha bom-senso com o mínimo de decência nos trajes. (Só faltava ir lá com camisa de alça, chinelo ou sandália! Há limite para tudo.)

 

Horários

O Tavares abre de segunda-feira a sábado, das 19h30 às 23h. Serve apenas jantar, portanto.

 

Contacto e reserva

O telefone do Restaurante Tavares é

+351 21 342 11 12

E-mail:

geral@restaurantetavares.net

Se você tiver sorte, pode chegar ali de última hora e conseguir uma mesa. Mas o ideal é fazer reserva antes.

 

Localização

O endereço é Rua da Misericórdia, 37. (Ah, o Chiado!…)

Para facilitar sua vida, localize agora no Google Mapas. E, lá no mapa, observe como o restaurante fica perto da A Severa, que eu considero e melhor casa de fado de Lisboa. Também está próximo do Bistrô 100 Maneiras, do chef Ljubomir Stanisic, que é muito famoso aqui em Portugal.

Bom apetite!

 

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NOTA — Vimos que o Tavares é o quarto restaurante mais antigo do mundo. E qual é o primeiro? A resposta está em Madri.

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

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