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Tecnologia

Algumas vantagens do Telegram (esqueça o WhatsApp!)

Não há dúvida de que TELEGRAM é muito melhor e mais seguro que WhatsApp. São tantos os recursos incríveis no Telegram que eu precisaria de um artigo vinte vezes mais longo para falar de todos. Mostro agora apenas algumas das principais vantagens.

Curiosamente, essas vantagens passam despercebidas por muitas pessoas. Deixam de notar o enorme potencial do Telegram para facilitar nossa vida pessoal e nosso trabalho.

Siga comigo para aprender um pouco. Aproveitarei para trazer breves palavras sobre privacidade e segurança, incluindo a polêmica (no Brasil) com Moro e Dallagnol.

Recursos incríveis do Telegram

Ressalto: estas são apenas algumas das grandes vantagens.

Não perturbe seus contactos

Fim de noite. Ou madrugada. Você quer enviar uma mensagem, mas receia perturbar seu contacto com o som de notificação. Talvez ele não queira ser incomodado no momento. Pior: pode estar dormindo.

O Telegram oferece duas soluções para isso.

Agendar a entrega

Escreva a mensagem normalmente e escolha dia, hora e minuto para a entrega a seu contacto. Por exemplo, programar para a manhã seguinte — será educado não enviar em um fim de noite.

Como fazer isso?

Em vez de simplesmente tocar no ícone de envio da mensagem, toque e mantenha seu dedo. Aparece um menu com duas opções. Uma delas é agendar a entrega.

Programar envio de mensagem no Telegram, ou enviar sem som de notificação.
Eu uso sistema em inglês, mas dá para você perceber aqui, caso use em português. Depois de tocar e manter o dedo no ícone de envio de mensagem, aparece o menu com duas opções. Escolho a número 1 para agendar o envio.

É necessário fazer isso para cada mensagem que você quiser programar.

Quando o chat com a pessoa tiver alguma mensagem programada, aparecerá um ícone na parte inferior para você administrar o que está para ser enviado. Poderá apenas ler a mensagem, enviá-la imediatamente, mudar dia e hora de envio ou mandá-la para o lixo.

O recurso revela-se útil em várias outras situações. Sua criatividade é o limite. Por exemplo, agendar mensagens a clientes para evitar esquecimentos (aniversários, datas de entregas, etc.).

Enviar sem som

Observe novamente a imagem acima. Veja a opção número 2 no menu: “Send without sound” — enviar sem som.

A mensagem será enviada imediatamente, mas não haverá som de notificação no telefone de seu contacto. Enfim, liberdade total para escrever, sem riscos de incomodar ou acordar a pessoa.

Vale ressaltar que isso deve ser feito para cada mensagem. Por hábito, podemos tocar no ícone de envio, esquecendo que precisamos tocar e manter no ícone para abrir aquele menu especial.

Ouvir mais rápido os áudios longos

Recebeu um áudio daqueles? Looooongo? É importante e você precisa mesmo ouvir tudo? Está sem tempo ou sem paciência?

Tranquilo.

Com o áudio em andamento, toque no ícone “2X” que aparece no alto.

Ouvir áudio em velocidade 2x no Telegram.

O que acontece é óbvio: o áudio corre em dobro de velocidade. Dá para entender bem. Parece narração de futebol nas antigas rádios AM.

Para desativar isso, toque no ícone novamente.

Detalhe: algumas pessoas reclamam que não podem avançar, saltar trechos nos áudios. Essa falsa impressão acontece porque não há uma tradicional barra de progresso. No Telegram, vemos barras sonoras. Basta tocar o dedo nas barras e arrastar suavemente para a esquerda ou para a direita.

Barra de áudio no Telegram.
Tocar nestas barras e deslizar o dedo para a esquerda ou a direita.

Editar mensagens

Há duas maneiras de interagirmos com uma mensagem já entregue: tocar nela e manter o dedo ou simplesmente dar um toque rápido. Aparecem as tradicionais opções de responder à mensagem, encaminhar, apagar, copiar.

Mas o Telegram, sempre à frente, traz um grande benefício: editar a mensagem. Isso mesmo: editar inclusive uma mensagem já entregue.

Editar mensagens no Telegram.
O lápis, marcado em vermelho, permite editar uma mensagem já entregue.

Nada mais de enviar uma mensagem e apagá-la por causa de um erro (e reenviar, corrigida). Muito menos aquela mania de deixar a mensagem com erro, mas em seguida enviar outra com um * e a correção.

Apagar mensagens

Quer algo mais drástico? Apagar uma mensagem, em vez de editar?

No pobre WhatsApp, você tem uma hora para mudar de opinião e apagar uma mensagem.

Não há limite no Telegram. Pode ser mensagem de cinco horas atrás, de ontem, de uma semana, de dois anos atrás. Seu contacto fica sem nenhum vestígio da mensagem. Não há nem mesmo indicação de que uma mensagem foi apagada (como vemos no WhatsApp).

Proteger seu número de telefone

Uma das maiores críticas contra o WhatsApp é a obrigatoriedade de você informar seu número de telefone para qualquer pessoa com quem queira trocar mensagens.

No Telegram, opcionalmente (e deve fazer isso!), você cria um nome de usuário único. Em vez de dar a alguém seu número de telefone, pode passar seu nome de usuário. Isso é ótimo, por exemplo, para expor em sites o seu contacto por Telegram. Fica lá o seu nome de usuário, não seu telefone, que é algo tão pessoal.

Nome de usuário no Telegram.
Configurações do Telegram. Aqui eu vejo meu nome, minha foto, etc. A seta vermelha indica o campo para definir “username”, ou nome de usuário.

Dentro do Telegram, para adicionar uma pessoa por nome de usuário, você usa o símbolo @ e o nome.

O mais incrível é usar isso fora do Telegram. Por exemplo, aquela ideia de expor em um site o seu contacto via nome de usuário. Para isso, basta usar o nome em forma de link de internet. É sempre o endereço “t.me” + / + nome de usuário.

Para entender, imagine o nome de usuário xyz. O link seria: t.me/xyz. Simples, não? Prático. Ao tocar no link, a pessoa verá o Telegram (caso já o tenha instalado) abrir uma janela de conversa diretamente com você. Tudo sem expor seu número de telefone.

Chats secretos

O Telegram, por natureza, preocupa-se com privacidade e segurança. Mas oferece recursos extras para momentos de maior exigência.

Mesmo que você já tenha aberto um chat normal com uma pessoa, pode abrir outro, em modo secreto. Há duas grandes vantagens nisso.

A primeira, óbvia, é a fortíssima criptografia do chat. Outro ponto digno de nota é a outra pessoa não poder tirar cópia da tela (print screen).

O mais admirável é a possibilidade de enviar todas as mensagens em modo de autodestruição. É isso mesmo que você entende: a mensagem desaparece sem deixar nenhum vestígio (some do seu Telegram, some do Telegram da outra pessoa, some dos arquivos do Telegram na nuvem).

Quanto tempo para a autodestruição? O Telegram é cheio de configurações. Muito rico. Portanto, o próprio usuário escolhe o tempo. Alguns segundos? Minutos? Horas? Dias?

Em casos extremos de sigilo, escolher alguns segundos é o ideal. A outra pessoa mal tem tempo para ler a mensagem (ou ver a imagem, ou ouvir o áudio). Uns segundos depois e… PUF!, adeus para sempre. Ótimo, por exemplo, para empresas quando trocam ideias sobre um projeto sigiloso.

Chat secreto, grupos e canais no Telegram.
A seta rosa aponta a opção para criar um chat secreto.

Foi exatamente nisso que, no Brasil, Sérgio Moro e Dallagnol erraram BARBARAMENTE ao usarem o Telegram. Usaram como crianças, de modo irresponsável. Não criaram senha para autenticação em duas etapas (crie a sua nas configurações!). E mantiveram as conversas em um chat comum. Claro que eles deviam sempre ter conversado por janela de chat secreto, com autodestruição.

No fim, devido ao caso Moro e Dallagnol, o Telegram pegou uma fama injusta no Brasil: a falsa impressão de ser “inseguro”. Inseguro, na verdade, sempre suspeito, é o WhatsApp!

Grupos poderosos

As pessoas adoram grupos no WhatsApp. Acostumaram-se com a pobreza de recursos dali.

Quem gosta de grupos fica encantado com o Telegram (veja, na imagem anterior, a seta verde apontar para a criação de grupo).

Os grupos são poderosos. Para você ter uma ideia: suportam até 200.000 integrantes (contra 256 no WhatsApp, mas tudo bem, quem chega a 200 mil?).

O que mais interessam são as ricas ferramentas de controle dos grupos. Tudo fica mais organizado, mais fluido, mais seguro.

O administrador especifica se os integrantes podem enviar qualquer tipo de conteúdo. Ou se não podem mandar GIFs animados. Ou se não enviam áudios… e outras opções.

As pessoas no grupo escrevem demais e ninguém consegue acompanhar o ritmo? O administrador pode abrandar tudo, especificando intervalo entre as mensagens (e pode criar exceções para algumas pessoas, o que deixa as configurações ainda mais ricas).

Há mais a ser dito. Mas cito agora um detalhe final: grupos podem ser públicos e ter um link de acesso.

Canais

Em que um canal difere de um grupo?

No canal, os integrantes apenas observam. Não publicam nada. Isso serve como boletim, broadcasting. O dono do canal publica conteúdo para os incritos acompanharem. (Na imagem anterior, a seta vermelha aponta a criação de um canal.)

Não há limite para o número de integrantes.

Um canal também pode ser público e ter link para acesso direto. Qualquer pessoa se inscreve.

Modo noturno

O modo noturno é benéfico para nossos olhos. À noite, a aplicação assume tons escuros.

Milhões de pessoas imploram por esse recurso básico todos os dias aos desenvolvedores do WhatsApp. Escrevem nas redes sociais. Pelo visto, a novidade finalmente chega agora em 2020.

No Telegram, o recurso existe faz tempo. E pode até funcionar automaticamente, nas horas apropriadas.

Modo noturno no Telegram.

Saiba, aliás, que cada recurso novo que surge no WhatsApp já existe faz tempo no Telegram. Na verdade, o WhatsApp copia o Telegram… em um ritmo bastante lento.

Nuvem e segurança

No WhatsApp, você precisa fazer backup de suas conversas periodicamente. Embora isso possa ser um processo automático, leva uns bons minutos para acontecer, por isso gasta mais carga de bateria. Além disso, consome pacote de dados para fazer upload de tudo o que há de novo. (Eu tenho internet ilimitada no telefone, mas isso ainda não é uma realidade na maioria dos países.) Para piorar, às vezes o processo diário de backup falha e nós demoramos para perceber (já aconteceu comigo umas cinco vezes).

O Telegram não requer backups, porque tudo funciona na nuvem. Tudo está automaticamente salvo e pode ser acessado de qualquer telefone, tablet e computador associado a sua conta.

Também aqui, algumas pessoas questionam a segurança do Telegram por ter tudo na nuvem. Acham o WhatsApp mais seguro por manter as mensagens apenas no telefone do usuário (por isso a importância do backup).

Tenho algumas observações sobre isso.

Na nuvem.
Você acredita mesmo no WhatsApp?

Primeiro, é importante ressaltar que não existe cem por cento de segurança digital. Nunca, em lugar nenhum, serviço nenhum (por isso é um absurdo o uso de urnas eletrônicas no Brasil). Podemos nos esforçar pelo máximo de segurança possível, não por uma segurança plena.

O WhatsApp promete conversas criptografadas e não as mantém na nuvem. Mas o backup não é criptografado. Você acha mesmo que está seguro?

As mensagens podem ser criptografadas, mas, ainda assim, passam por servidores do WhatsApp. Você confia em Mark Zuckerberg? (Veja o próximo item.)

Pensemos um pouco além. De onde saem os recursos para manter o WhatsApp, se não pagamos pelo uso e não há publicidade? Raciocine. O que há por trás? Acha isso lógico e seguro? (Sabe-se de onde vem o dinheiro para manter o Telegram.)

Considere, ainda, que são cada vez mais comuns notícias de telefones invadidos a partir de mensagens no WhatsApp. Até o poderoso Jeff Bezos, fundador da Amazon, passou por isso.

Sem Zuckerberg

Por fim, uma vantagem sensacional: uma app que NÃO tem Mark Zuckerberg por trás!

Óóóóóótimo!

Zuckerberg, vale lembrar, comanda Facebook, Instagram, WhatsApp. Não confio em nada que tenha ele por trás. O Instagram e o WhatsApp eu já abandonei. Facebook ainda uso, mas em condições especiais, limitando a app e acessando por meio de rede criptografada (detalhes sobre isso ficam para outro artigo).

Dê uma chance ao Telegram. Boa sorte… e boas conversas.

NOTA — Foi graças a incentivos de Vladimir Campos que adotei o Telegram e removi o WhatsApp da minha vida. Obrigado.

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

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