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Turismo

Memorial a vítimas de terrorismo em Nice (onde não me senti seguro)

Finalmente, conheci Nice, uma das cidades mais famosas da França.

Cheguei ao Hotel Hyatt Regency Nice Palais de la Méditerranée, deixei as malas e saí a pé para começar a explorar a cultura local. Poucos passos depois do hotel, na Promenade des Anglais, tive uma visão perturbadora junto ao parque Jardin Albert 1er. Era um memorial às vítimas de um recente ataque terrorista na cidade, quando pessoas foram atropeladas por um caminhão.

Respirei fundo. Primeiro, decidi não me aproximar. A atmosfera era pesada. Eu sentia amargura no ar. Depois, por respeito e consideração às vítimas, eu avancei.

Foi difícil não chorar. Várias peças expostas ali pertenciam mesmo às vítimas.

Dias depois, de volta a minha casa, eu refleti sobre isso.

Sinceramente, eu não me senti seguro em Nice. Foi uma decepção.

A cidade está marcada na rota do terrorismo. Já houve ataques lá, e quase ninguém duvida que haverá outros. O que eu vi de policiamento nas ruas? Apenas uma vez – uma dupla de policiais. Sim, só isso.

Meu maior medo foi no momento de ir embora, quando estive no aeroporto de Nice para pegar meu vôo a Portugal. Aeroporto, local extremamente visado. O que eu vi de policiamento? Uma dupla de militares, caminhando de um lado a outro. Uma dupla para todo o aeroporto. Se um atirador aparecesse ali, a dupla poderia estar distante, em outro ponto do aeroporto, sem tempo para correr e evitar o pior.

A chegada a Nice também despertou minha atenção. No aeroporto, eu simplesmente saí do avião… peguei minhas malas… e pronto, rua. Não vi policiais, fiscalização – nada. Tudo livre. Tranquilo.

Um francês disse-me que eu apenas identifiquei o que estava evidente. Segundo ele, podia haver policiais à paisana na cidade. Tenho minhas dúvidas. Governos de vários países – a França, inclusive – mostram-se ineficazes demais no combate ao terrorismo.

Você deve ter visto na mídia este tipo de declaração após um ataque: “O terrorista já era conhecido pelas autoridades”. Apesar disso, ele conseguiu agir. Em um ataque recente, por exemplo, o criminoso era imigrante do Paquistão (se não me engano) e havia comprado armas pesadas. Autoridades sabiam disso… mas ele conseguiu atacar. Em alguns casos, é incompetência demais para eu acreditar que é apenas uma questão de… incompetência.

Diante disso tudo, você acha que eu confio na idéia de policiais à paisana?

Estranhamente, eu não vi esse [possível] descaso em Cannes, a poucos quilômetros de Nice. Em Cannes, era impressionante a quantidade de policiais nas ruas. Por que essa diferença? Aliás, se houvesse mesmo policiais à paisana em Nice, também não seria assim em Cannes?

Grande quantidade de policiais pode não impedir um ataque, mas certamente evita algo mais dramático e transmite uma sensação mais confortável aos turistas (e à população local, é claro). Em Cannes, eu me desliguei desse problema. Foi automático. Em Nice, minhas antenas ficaram de pé. Principalmente na Promenade des Anglais, palco da tragédia com o caminhão. Aliás, o caminhão parou (e a polícia matou o terrorista) exatamente em frente de meu hotel. Algumas pessoas até esconderam-se no hotel no momento do ataque. Essas lembranças ajudaram a despertar amargura e medo em minha mente.

 

♦ Localize o memorial (as fotos acima) direto no Google Mapas.

By GLAUCO DAMAS

Moro em Portugal. Atuo como autor desde 2001. Publiquei livros infanto-juvenis, inclusive pela Editora Saraiva. Em 2013, surgiram o primeiro livro técnico e o primeiro guia de viagem.

3 comentários a “Memorial a vítimas de terrorismo em Nice (onde não me senti seguro)”

Que triste Glauco! Nice parece ser uma cidade linda, que pena que você não se sentiu bem por lá. Mas infelizmente, vc descreveu e sentiu o que é o terrorismo na realidade: sensação de medo e impunidade que nos faz ter receio de andar nas ruas…

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